Abraham’s Boys Nuno Reis, 27 de Dezembro de 202527 de Dezembro de 2025 Todos conhecemos histórias de vampiros. A história de Drácula é a mais popular, mas ninguém pensa no depois. Segundo o livro, Mina ficou livre da maldição depois da matarem o Conde, mas terá havido um “viveram felizes para sempre” para os Harker? Este filme tem lugar bem longe. Enquanto Abraham Van Helsing combateu os vampiros na Europa no final do século XIX, a história tem lugar no século XX na California. Longe no tempo e no espaço de tudo o que lemos. Mas algo se passa. Mina está atormentada por visões. Terá Drácula encontrado uma forma de escapar da segunda morte e perseguido o seu amor através do globo? Será isto uma vingança pela acções passadas de Van Helsing ou um ataque preventivo dos vampiros que se querem afirmar no novo mundo? A perspectiva que vamos ver é de Max e Rudy, os filhos de Van Helsing e Mina. Enquanto assistem ao definhar da mãe assombrada por algo, o pai está certo da causa e da cura. Fugiram para longe, mas o progresso fez com que voltassem a estar perto do monstro. E devem preparar-se antes que seja demasiado tarde. Saber como proteger a casa, como matar de forma eficaz, vamos voltar a ver todos os clássicos. Mas isto não é um filme sobre vampiros. Podia ser sobre a vida depois daquilo para que estavamos destinados. Como um homem que vivia sem medo de morrer se conforma a salvar vidas como médico e a envelhecer como pai. Mas também não é isso. Abraham (Titus Welliver, com uma presença portente e a voz perfeita) está sempre um pouco distante. Ou fora a trabalhar, ou fechado no seu escritório. E Mina (Jocelyn Donahue) está apenas a definhar numa doença que parece mais do espírito que do corpo. Os filhos, sem terem toda a informação, vão ter de perceber o que se passa. Os pais guardarão um secreto inacreditável, ou serão apenas loucos? Mesmo que de vez em quando recorra ao pesadelo para pregar um susto, o filme vai colocando os elementos do terror em crescendo. Fazendo o espectador desesperar por uma mudança de ritmo e o tal confronto entre velhos rivais. Ou pelo menos ver a nova geração a assumir o manto dessa luta milenar. Mas o argumento foi preguiçoso e temos apenas exploração da parte mental. Numa era em que os vampiros já nos deram todo o género de filmes, ser diferente é bom. Ser lento também. Mas este terror cozido em fogo lento sabe a desilusão. Brady Hepner como o filho mais velho é quem carrega o filme e sai-se bem, mas não havia nada mais para dar. A revelação final tem boas intenções e devia fazer pensar. Mas nem para rever, nem para recordar. Foi uma bela oportunidade perdida. Filmes Filmes 2025 IrmãosNuno ReisVampiros