Borderline Nuno Reis, 24 de Dezembro de 202518 de Janeiro de 2026 O culto da celebridade na nossa época chega a níveis excessivos. Mas antigamente não era muito melhor. Várias celebridades foram perseguidas, ameaçadas e inclusivamente mortas pelos seus supostos admiradores. Os anos 90 foram pródigos em situações do género. Basta lembrar que o filme “” é de 1996. “Borderline” vai-nos levar para essa década com uma celebridade ficcionada e um fã ficcionado e uma dramatização dos eventos com comédia à mistura. Sofia é uma estrela musical em voga. Bell é o seu guarda-costas de longa data. E ela namora com Rhodes, um jogador mediano. Do outro lado do espectro está Paul que vive obcecado por ela. Paul sozinho não conseguiu levar o seu plano de casar com ela até ao fim, mas agora vai ter ajuda. Nada nem ninguém os vai separar. Sendo o tema um distúrbio que costuma ter resultados violentos, seria de esperar alguns cuidados no tratamento da personagem. Ou uma extrpolação que nos levasse a mergulhar no terror do pior cenário. O que temos aqui é inesperado. Tem toques de terror, mas principalmente de comédia. Jimmy Warden (conhecido principalmente por ) optou por uma visão que exagera e roça o ridículo. Para estrela escolheu a esposa na vida real (Samara Weaving) e, tendo a oportunidade de a colocar num pedestral, conseguiu fazer quase o oposto. É a protagonista do filme, mas não é a estrela, não tem uma personalidade deslumbrante, corajosa ou encantadora. É apenas uma pessoa normal com muito dinheiro, que está constantemente na TV e tem roupa com a cara dela. Mas perante uma arma, continua indefesa. Weaving tem o perfil para isso, conseguindo saltar entre a estrela nas capas de revista e uma miúda indefesa. A verdadeira estrela é Ray Nicholson, com um exagero que vai do óbvio olhar arregalado, até momentos cómicos que não são geniais, mas são imprevisíveis e ele aguenta de forma credível. Ao seu lado Patrick Cox (mais conhecido por um papel recorrente na série “2 Broke Girls”) é o estereótipo dos músculos sem cérebro que também proporciona momentos de humor. E depois temos uma inesperada Alba Baptista como uma francesa com excelente voz que é o epítemo da loucura. Quando está em cena, ninguém a consegue acompanhar. Constante overacting num filme em que tudo era permitido e onde decerto se divertiu num registo completamente diferente ao que temos visto. O nome sonante do elenco, Eric Dale, acaba por ter um papel menor em comparação com estes. E Jimmie Fails só muito perto do fim tem o seu momento. Uma nota ainda para Yasmeen Kelders que tem pouco tempo em cena, mas parece ter futuro na arte. Warden entregou-nos um filme que funciona em cenários específicos. Tem cenas bem conseguidas e outras que são pura palhaçada. Portanto ver o filme sozinho é um desperdício. É um filme para ver em grupo. Para rir bem alto com o cérebro desligado e desfrutar até ao final. Queria mesmo que tivesse uma cena pós-créditos, mas desiludiu. Para aproveitar a experiência e esquecer pouco depois. Filmes Filmes 2025 casamentocelebridadesNuno Reis