Send Help Nuno Reis, 1 de Fevereiro de 20261 de Fevereiro de 2026 No mundo real é bem conhecido o princípio de Peter. Cada pessoa que demonstre competência numa função é promovida até ao cargo em que seja incompetente, ficando lá para sempre. No mundo empresarial, em especial bem no topo, parece que se verifica o contrário. São promovidas pessoas incompetentes desde o início, apenas porque conhecem a pessoa certa. Pelo menos é essa a visão de quem ambicionava o tal lugar. É isso que vamos ver nesta proposta algo invulgar de Sam Raimi. Como ser a pessoa certa depende do momento e do local. E enquanto umas pessoas encontram esse lugar melhor mudando de emprego, outras, apenas caem no sítio certo. Linda Liddle (Rachel McAdams) é a funcionária modelo na empresa. O CEO tinha-lhe prometido o cargo de Vice-presidente, mas faleceu antes disso acontecer. O filho dele, que mal conhece a empresa, tem uma opinião diferente. Linda não é o que ele procura no cargo. Tem de ser um homem e tem de jogar golfe. Farta de ser ignorada e explorada, Linda vai numa importante viagem para demonstrar o seu verdadeiro valor. Só que os colegas usam essa viagem para se rirem da sua candidatura ao programa televisivo “Survivor”, um dos sonhos dela. Riem, até que o avião cai numa ilha deserta e só ela sabe como sobreviver, provando que quem ri por último, ri melhor. Confesso que este filme me surpreendeu. Acostumado ao terror de Raimi, esperava que a variação fosse um daqueles contos do patinho feito com McAdams a desabrochar de “tem óculos e pasta de atum na cara” para “fica muito bem em bikini”. Mas não é isso. É principalmente uma comédia sobre uma mulher rancorosa que sabe que o dinheiro e os títulos não interessam para nada longe da civilização. Só ela sabe os mínimos de sobrevivência como construir abrigos, fazer fogo, recolher água potável… O senhor Preston, CEO, é agora apenas Bradley. Ela está no comando pois sem ela, ele não dura um dia. E isso faz com que fique muito bem-disposta. Apesar das várias incursões do cinema no tema das ilhas desertas, este tem algo de especial. Parece daquelas comédias televisivas com o mesmo tema. McAdams está no seu registo habitual dos filmes ligeiros, com algumas cenas em que se cobre de sangue (calma, de animal). Carrega o filme sozinha. Ao seu lado temos Dylan O’Brien que odiamos desde e não nos importamos que morra mais ou menos lentamente. Foi uma boa escolha para alvo. Depois, é uma ilha com uma meteorologia temperamental e imprevisível, algumas plantas e animais que querem matar humanos, e o ocasional segredo. Um filme fácil de ver, que foge aos clichés, mas usa o que era inevitável nesta situação. Tem a duração certa e a mensagem certa: neste mundo a ajuda não vem quando precisamos. Só podemos confiar em nós mesmos e é cada um por si. Filmes Filmes 2026 Aviãoilha desertaMulher forteNuno Reis