Shelby Oaks Nuno Reis, 11 de Fevereiro de 202611 de Fevereiro de 2026 Por vezes há coincidências estranhas. Por pouco eu nunca teria visto este filme. O título não me dizia nada. Não reconhecia nenhum nome no elenco. O found footage não é um género que aprecie. Mesmo terror, se calhar ando a ver a mais nos últimos tempos. Com tantas opções diferentes, para quê ver este? Mas calhou o filme ter estreia marcada em Portugal. Calhou a NEON ter-me mandado o filme há duas meses como um dos seus grandes títulos da temporada. Calhou eu não ter nada agendado para esta data. Tinha de o ver e escrever. Essa decisão pareceu tão errada! É que a abertura não é um found footage normal. É uma cópia de Blair Witch Project. Até a primeira frase que se percebe é um “I’m so scared”. A vontade de interromper foi forte, mas, pelos leitores, continuei. E afinal foi uma boa decisão. “Shelby Oaks” não é o que se esperaria dele. É verdade que os primeiros dezassete minutos são com cenas captadas por uma câmara recuperada depois de a equipa de filmagens de um podcast desaparecer. Tem muitas coisas erradas. Mas depois tudo muda. O início foi para nos dar o contexto. O podcast Paranormal Paranoids vai visitar Shelby Oaks, uma vila fantasma cuja população desapareceu do dia para a noite. Riley é uma das quatro pessoas na equipa e quem tem mais tempo de gravação. E quem tem a sensação que não deviam estar lá. O resto do filme é sobre a irmã, Mia, a tentar seguir as pistas racionais pelo meio de tanto ruído digital. Ela não se conforma e quer saber o que lhe aconteceu. Esta produção começou como crowdfunding (valores recorde para terror), mas a pós-produção depois teve uma duplicação de orçamento para regravarem as cenas com mais sangue. Algo que se adora ouvir. A ideia partiu de Chris Stuckmann, um crítico de cinema e youtuber que fez filmes toda a vida. Só nada com esta dimensão ou com um elenco profissional. O protagonismo está entregue a Camille Sullivan – que Stuckmann admirava há anos – e a verdade é que nos faz esquecer imediatamente o lixo inicial. O filme tem outra credibilidade assim que ela pega na história. Somos levados para recantos escuros, casas decrépitas, salas de arrpeiarç, não faltam sotãos a fazerem sons e caves com trancas. Muitos elementos familiares, mas não parece forçado. A tensão é de cortar à faca mesmo sem juntar criaturas paranormais e do além. O outro grande ponto negativo diria que é o facto de todos se focarem em Riley. Eles eram quatro. Todos desapareceram. Porque só uma família se preocupa? Mas tirando isso é um filme que sabe quando não precisa de dizer mais nada. Não nos trata como ignorantes, nem como desatentos, nem se exibe “olhem esta ideia tão boa que tive”. É para ser visto e nada mais. E se puderem demorar um pouco mais nas pipocas e perderem o início, não vão mal servidos. Filmes Filmes 2025 casa isoladaIrmãosNuno Reis