Follemente Nuno Reis, 4 de Fevereiro de 202631 de Janeiro de 2026 Sempre gostamos da ideia de gente pequenina dentro de nós a fazerem as coisas funcionarem. Foi esse o motivo do sucesso de “Era Uma Vez o Corpo Humano”. Quando em “Inside Out” foi dada a opção de alguém estar a tomar as decisões por nós, ainda melhor. Total isenção de responsabilidade. E enquanto a Pixar nos dava esses filmes para crianças, Paolo Genovese decidiu fazer a versão adulta. O realizador que já tinha lidado com o tema de grupos a tomarem más decisões em “Perfetti sconosciuti“ – filme que está a ter um número recorde de remakes, já estrearam dez versões europeias e sete em outros continentes – agora coloca o grupo no cérebro. Tudo começa numa sala em que quatro homens estão a discutir opções de preservativos e se faz sentido o primeiro encontro ser logo um jantar em casa dela. Depois vemos um outro homem confrontado com o mesmo tema. Como se eles fossem argumentistas a decidir o que fazia sentido para a personagem. Depois saltamos para outra sala onde quatro mulheres reagem à chegada dessa mesma personagem. Estes quartetos são as identidades cerebrais do homem e da mulher prestes a terem um encontro. Eles dirão o que cada um pensa a cada momento e por vezes isso sai pela boca sem filtros. À medida que o jantar decorre, vemos muitas respostas inconvenientes, mas também muitos silêncios em que era preciso ter coragem para falar. E assim veremos como duas boas pessoas com bocadinhos do cérebro algo inconvenientes se aproximam e se afastam como qualquer outro casal na sociedade actual. O que reserva o futuro para estes dois e de quem será o mérito ou a culpa? É uma ideia bastante original. Os adultos tamvbém mereciam e se numa criança tudo se foca em disparates e gera humor, com adultos permite masi desenvolvimento. Já trazem memórias e conhecimento prévio. Os egos trazem argumentos para as decisões quase instantâneas a tomar. E tem uma perspectiva escrita a dez mãos com ambos os géneros representados pelo que não é tendencioso para nenhum dos lados. O elenco é uma grande surpresa. Porque um filme simples precisa de talentos especiais. Edoardo Leo, que já conhecíamos do título acima mencionado e alguns outros projectos mais internacionalizados, traz-nos uma pessoa normal com camadas. Não é o que parece à primeira vista e não se transforma no homem ideal. É apenas ele mesmo. Com características mais ou menos boas, alguns defeitos e virtudes, pensamentos por vezes inconvenientes, mas muito carismático e fácil de gostar. Do lado feminino temos Pilar Fogliati que não conhecia de lado nenhum. Começa como uma personagem simples e algo banal. À medida que vemos a mente percebemos que é tudo uma persona. Tem muito mais a acontecer dentro da cabeça, apenas receia dizer a coisa errada. Quando começa a relaxar e a confiar, dá informação que nos permite vê-la como uma pessoa igualmente complexa. E com os diálogos, ambos se revelam. Isso sem falar das entidades escondidas. Mais oito actores com as frases certas nos momentos certos, e até algum talento musical. Um belo argumento que poderia dar para horas e horas de filme pelo potencial que ficou por usar. Foi uma experiência bem sucedida. Imagino que também com isto alguém queira fazer um remake e adaptar à sua cultura. Eu veria sem hesitar. Até mais depressa que o jogo dos telemóveis. Filmes Filmes 2025 encontronamoroNuno Reis