Liza: A Truly Terrific Absolutely True Story Nuno Reis, 2 de Fevereiro de 20262 de Fevereiro de 2026 “Ela tinha muito a aprender, mas sabia muito que não pode ser ensinado” Cada estrela tem a sua era. Pode ser o maior nome durante uma década, mas chegará o dia em que uma nova promessa roubará esse lugar. Liza Minnelli teve uma vida complicada. Nasceu à sombra da maior estrela do mundo pois era filha de Judy Garland. E mesmo assim, soube inventar-se e ocupar um lugar só seu na história de várias artes, principalmente música, dança e cinema. Orgulhosa detentora de um R.E.G.O.T. – celebra o seu Razzie tanto como Emmy, Grammy, Oscar e Tony – foi a estrela maior dos anos 70. E ainda que a sua chama tenha enfraquecido, basta ouvir uma nota para se perceber porque Liza chegou onde chegou. Pessoalmente nunca fui fã. Era anterior à minha era, um pouco fora do meu género musical, e demorei muito até a descobrir. Mas este documentário foi um pretexto para saber um pouco mais. Garland foi um caso de sucesso. Ter interpretado a adorável Dorothy tornou-a a menina querida dos EUA. Algumas boas decisões profissionais cimentaram isso nas décadas seguintes. Dizia-se que não haveria outra como Judy. Mas outras más decisões encurtaram-lhe a vida, deixando o caminho para o trono livre para a herdeira. Filha do grande realizador Vincente Minnelli e da maior estrela do cinema, Liza diz que foi fotografada desde que nasceu. Este documentário vai pegar em conteúdo público, de arquivo, pessoal e até alguns tesouros inéditos encontrados pelo caminho. Dividido em capítulos, sintetiza muito bem algumas filosofias fundamentais que Liza ouviu e seguiu à letra, assim como umas que inventou. O talento estava lá. Ainda adolescente aparecia em anúncios ao lado da colega de infantário Mia Farrow. Um dia cantou com a mãe num palco e Judy a estrela sentiu-se ameaçada. Pouco depois Judy morreu, e Liza ficou sem mãe. Foi quando a madrinha Kay Thompson apareceu. Thompson estava no meio artístico e tinha o talento, mas não a beleza. Por isso estava incumbida de treinar as beldades que roubariam corações. Tornou-se um ícone. Quando decidiu guiar a afilhada, fê-lo por completo. E depois foi uma série de eventos que se tornaram parte da história e influências que já eram História. As suas regras são fáceis. Deixo aqui as principais. Evitar pessoas de quem não se gosta. Fazer com que aqueles de quem se gosta saibam isso. Enfatizar o que é bom, mudar o resto. Ser quem se é. Ter sempre presente quem somos e quem os outros querem que sejamos. Por isso vamos ver um filme com poucas pessoas, mas pessoas importantes para Liza. Vamos perceber quão importantes foram Fred Ebb e Bob Fosse. Vamos rir por De Niro ter desprezado a primeira versão do hino “New York, New York” e levado à criação da outra versão. E ouvir a história de como a Liza dos Oscares e Tonys ter decidido ser substituta numa peça de teatro, acabou por a salvar de um fecho precoce e tendo mudado o teatro musical mais uma vez. Uma vida recheada de eventos, que mudou o mundo. Um filme que dá apenas amostras, obrigando os jovens abaixo de sessenta a irem procurar vários clássicos. Não é uma grande obra, mas é informativa e era necessária. Grande em toda essa história, só Liza. Filmes Filmes 2025 BiografiaMulher forteMúsicaNuno Reis