7 Keys Nuno Reis, 27 de Janeiro de 202625 de Janeiro de 2026 Vamos a uma pergunta simples. As chaves dessa casa são as mesmas que no anterior inquilino? Há quanto tempo não são mudadas? Esta proposta inglesa começa com uma premissa bem simples. E se uma pessoa fosse coleccionando as chaves de todas as casas por onde passou? Qual a probabiblidade de as pessoas terem mudado? Daniel tem as chaves simplesmente porque nunca as deitou fora. Quando conhece Lena, vai ser desafiado a testar quais funcionam. Encontros às cegas são começo provável de uma comédia romântica. Encontros via aplicação, é mais provável que seja terror. E este que mistura ambos, não fazemos ideia como se vai desenrolar. “7 Keys” consegue construir uma narrativa em que não sabemos nada. Apenas o número de casas e isso porque o título revela. Tudo o resto, vamos vendo à medida que acontece. A narrativa vai envolvendo outros intervenientes de forma muito orgânica. Ainda que o cinema britânico tenha tido uns anos muito fortes com a temática da invasão doméstica, desta vez é diferente.Os protagonistas não parecem más pessoas – apenas com muitos segredos – pelo que o mal deverá vir de outro lado. Será uma das sete casas o covil de um psicopata? Quanto às estrelas, Emma McDonald está a iniciar a carreira de forma solida. Tem feito principalmente séries, mas com papéis de relevo. Neste filme tem uma personagem complexa, com várias facetas. Será o género de filme que se esquece que ela fez e se encontra por acaso uma década depois. Billy Postlethwaite tem uma carreira com o dobro do comprimento de McDonald e nota-se. Carrega ainda mais camadas. E a cumplicidade funciona porque há química entre eles. Visualmente é um filme poderoso. As diferentes casas acabam por contar parte da história, mas a filmagem tem de se adaptar ao espaço. As casas acabam por ser uma personagem. E sempre mais importante que os humanos (excluindo os dois principais). Mas da mesma forma que as casas mudam, também as pessoas mudam. Ou melhor, vão revelando facetas. Lena, extrovertida, fala muito. Mas ainda assim mantém alguns segredos para si. E Daniel pouco fala, nas Lena consegue extrair-lhe todos os segredos que ele está disposto a contar. Precisamos mesmo das sete chaves para saber quem são. E é aí que se percebe que saber o número condiciona o visionamento. Quando acontece uma coisa, pelo número sabemos se é importante ou não. É como estar a ler um livro e saber se faltam 200 ou 50 páginas. É um filme que se vê bem. Ocupa um nicho pouco explorado e não comete erros. Poderá não ser memorável, mas é um tempo bem passado. Surpreende que Joy Wilkinson se esteja a estrear nas longas. A possibilidade de este ser o primeiro de uma trilogia da realizadora sobre relações perigosas parece aliciante e poderá ser a lufada que torna este filme num clássico. Filmes Filmes 2026 Invasão DomiciliáriaNuno Reis