Arco Nuno Reis, 16 de Novembro de 202510 de Janeiro de 2026 Quando a NEON me mandou a sua lista de pesos pesados para a temporada de prémios que se avizinha, “Arco” não era um qualquer. Como o mais recente vencedor de Annexy, era a animação mais forte dessa lista. Ainda que não esteja a ser muito falado (estreou na semana passada) com o visionamento percebe-se porquê. Estamos perante um daqueles filmes que não parecem muito quando visionados, mas que com o tempo percebemos que se entranharam na memória. Aqui analisamos dois futuros. Arco vem do ano 2932. Cai do céu em 2075 onde é acolhido por Iris. A presença de um grupo de perseguidores de arco-íris podia ter levado o rumo da história para uma perseguição frenética. O estreante Ugo Bienvenu optou por ser simplesmente sobre como duas crianças de dez anos vão aprender sobre outros tempos e a confiar no inacreditável. Como vão ensinar curiosidades da suas épocas, para perceber o que é ou não normal e o que se manteve na definição de humanidade. Um dos pontos fortes do filme é a animação. Com um estlo muito tradicional, a única inovação é na roupa multi-colorida que o futuro posterior utiliza. Aposta na simplicidade e dá tempo aos planos para respirar. Tem vários planos de conversa, apenas com pequenos movimentos. Mais como um livro ilustrado do que uma animação. Por isso talvez não funcione com todos os públicos, acostumados a movimentos rápidos e transições constantes. “Arco” consegue ser ao mesmo tempo uma reflexão sobre o futuro que está à porta e o que apenas de imagina. Duvido que sejam precisos 50 anos para chegar a esse mundo em que as pessoas são hologramas e os robots tratam de tudo. E na fase seguinte da evolução, descarta-se tudo isso e vive-se num outro patamar, em coexistência com o planeta. Muito conteúdo para pensar. Este pretexto de uma criança perdida no tempo é na verdade uma comparação de visões infantis e esperançosas sobre o mundo. Uma oportunidade para falar de ecologia, de tolerância, de perda. Para dizer que uma suposta utopia pode não ser a etapa final da evolução. É um filme para ver com olhos de criança e mente de adulto. Para acreditar que tudo vai ficar bem, mas arregaçar as mangas para colaborar no processo. E se possível escolher, tentem ver na versão inglesa pois o elenco vocal é deveras impressionante. Ugo Bienvenu na sua primeira longa teve Natalie Portman (que também era produtora), Will Ferrell, America Ferrera, Mark Ruffalo e Andy Samberg. Os diálogos não são muitos, mas carregam muita emoção. Filmes Filmes 2025 AmbienteCriança desaparecidaInteligência ArtificialMundo pós-apocalipticoNuno ReisRobotsViagem no tempo