Back in Action Nuno Reis, 20 de Janeiro de 202514 de Janeiro de 2026 Sou daqueles que acha que para ter filhos devia haver um curso e um exame. Afinal, é preciso saber enfrentar longas negociações, porcaria em cima de nós, birras intermináveis e enfrentar autênticos mestres da mentira, isso sem uma noite de sono em condições em meses ou anos. O mais parecido que há com tal curso, é espionagem. No entanto, mesmo isso parece ser insufuciente. Que o digam Matt e Emily, dois espiões de topo que se retiram discretamente dessa vida para começarem uma família. Quinze anos depois e mesmo dominando artes marciais e as mais variadas técnicas de tortura, não conseguem que a filha adolescente obedeça e o mais novo quase os consegue enganar. Até que um pequeno deslize faz com que o disfarce caia e o seu passado volte para os assombrar. Vão ter de deixar a vida pacata dos subúrbios e voltar às missões internacionais, só que agora com dois sabichões no banco de trás. Algumas fórmulas não precisam de ser mudadas. E entre os filmes de espionagem em modelo comédia, já pouco de novo há para criar. “Back in Action” não engana sobre o que quer ser. Uma produção Netflix para ver em casa, rostos familiares a fazerem o que sabem. Pouco trabalho para eles e ainda menos para quem assiste. Mesmo um dos posters oficiais é clonado de “” onde também tinhamos uma Cameron Diaz civil a entrar no mundo da espionagem e várias perseguições a alta velocidade. Tenho de dizer que Jamie Foxx me surpreendeu. Nos últimos anos tem feito papéis mais ligeiros, mas ainda consegue entrar em registos nunca vistos. Este exemplo, que balança entre ser pai de família, marido carinhoso e super-espião é dos seus grandes papéis em anos (ainda que o filme não merecesse). Já Diaz, para quem se reformou, é bom ver que ainda a conseguem convencer dar uma perninha e um pontapé quando é preciso. Carrega a maioria o humor do filme ao seu estilo, e não desaponta. As saudades ajudam. Já os pequenos fazem o que lhes compete: passar de revirar os olhos a ficar de olhos esbugalhados. Depois há ainda o ocasional elemento desestabilizador. Ainda que Glenn Close não seja uma completa surpresa (apenas é raramente vista em comédia), a participação completamente aleatória Jamie Demetriou tem os seus momentos. É um filme pipoca que se vê bem, com um twist aceitável e explosões a mais. Não prestem atenção é à componente informática pois, apesar das piadas engraçadas, tem um detalhe que enfurece quem souber do que se trata. Filmes Filmes 2025 Combate corpo-a-corpoespiões reformadosfamíliaNetflixNuno ReisVida secreta