Bride of the Monster (1955) Nuno Reis, 21 de Fevereiro de 20128 de Novembro de 2025 Se não fores os especiais em festivais, quantos de vós teriam a coragem de, por iniciativa própria, ver a filmografia de Ed Wood? Ainda bem que há a possibilidade de ver em cinema não só porque a qualidade técnica é ainda mais hilariante em grande ecrã, mas especialmente porque o consumo de Ed Wood deve ser feito apenas com vigilância pois tem elevado risco de causar riso excessivo. Em “Bride of the Monster” a população de uma terriola junto ao pântano tem sido vítima de numerosos desaparecimentos. Uma jornalista diz que é um monstro, um especialista diz que é uma criatura pré-histórica, a polícia não sabe o que é. Estes três grupos vão convergir na Herdade do Salgueiro Velho, a única residência na região e que por sorte não foi vítima desse suposto monstro. Que se desengane quem pensa que isto é mais um filme de Ed Wood. Este foi o único financeiramente viável, apesar de isso não dizer muito pois a produção foi interrompida ao fim de três dias por falta de dinheiro. Claro que nas despesas não incluiram nada que fosse custoso. Por exemplo, o monstro foi roubado a um filme de John Wayne. Esqueceram-se do motor que o controlava. O actor principal tem aqui a sua única experiência séria em cinema porque era filho do produtor. Produtor esse que aprendeu com o erro e nunca mais produziu um filme. Há uma infinidade de histórias assim em cada filme de Wood e por isso é que ele é tão adorado, porque continua a tentar. Ver um filme destes será para ver como fazer cenários e efeitos especiais low cost. Também para ver as falhas de continuidade tão abundantes que parecem propositadas. Talvez para ver o monstro mortífero menos assustador da história do cinema. Pode ser para ouvir e ver diálogos e actores tão maus que superam os pesadelos de qualquer um… Em suma, para recordar Bela Lugosi ou para rir. Podem dizer que eram outros tempos e o cinema de então não era igual ao que temos hoje, mas no mesmo ano em que saíram filmes como “Les diaboliques“, “The Night of the Hunter” e “East of Eden” já a indústria e o público tinham valores bem definidos. Ed Wood filmava com uma tecnologia do tempo de Méliès, quando o simples facto de ser cinema bastava para seduzir multidões. Se não fosse Lugosi perdido lá pelo meio poderíamos dizer que não tinha actores profissionais. Permitir que um filme destes (e todos os outros) vejam a luz do dia é prova mais do que suficiente para o título de pior realizador do mundo. Filmes Filmes 1950's Fantasporto 2012MonstroNuno Reis