Bugonia Nuno Reis, 12 de Dezembro de 202511 de Janeiro de 2026 O que fazer quando somos os únicos a ver os estraterrestres que andam entre nós? Andam cientistas por aí? Tal como Galileu, Darwin e Wegener entre outros foram tomados por loucos por verem mais além, pode alguém estar prestes a fazer uma descoberta grandiosa. Esses estão autorizados a serem os únicos a verem o que ninguém mais vê. A todos os outros leitores deixo um pedido: quando achar que é o único no mundo a saber algo ou a ouvir algo, por favor procure ajuda médica. Pode ser um problema. Em “Bugonia” Yorgos Lanthimos voltou a propor a Emma Stone fazer algo diferente. Desta vez a actriz a quem o grego já deu inúmeros prémios teria um papel fácil, como a poderosa CEO de uma enorme empresa farmacêutica de prestígio. Ser imponente, carismática, influente… E ser raptada por um maluquinho que acha que ela é uma extraterrestre e pelo primo dele, um indivíduo pouco dotado de cérebro . Está dado o mote para um filme muito simples, de localização quase única, que terá talvez cinco personagens com direito a mais de uma fala. Aqui vamos ter essencialmente um duelo de vontades entre Teddy (Jesse Plemons) e Michelle (Stone), com a presença do primo dele, Don (Aidan Delbis). De um lado o raptor a tentar extrair a verdade por todos os meios necessários (a tortura tem sempre resultados maravilhosos). Do outro, uma mulher que vive a cada segundo com stress elevado e sabe ter o rosto em todos os jornais e todas as polícias à procura dela. Será uma questão de tempo até a encontrarem. Mas como não hostilizar quem quer começar a conversa com “admita que é de Andrómeda”? Nessas conversas vamos ter oportunidade para ouvir um “maluco das teorias da compiração” a fundamentar as suas descobertas e uma cientista habituada a lidar com a imprensa e a refutar ataques assim como a dar a volta às perguntas. É um filme para fazer pensar que consegue aquele delicado equilíbro entre drama e comédia quando não nos deviamos rir. Que nos faz duvidar da loucura e desejar que Teddy tenha mesmo encontrado uma agente alienígena. Mas que mostra Teddy incapaz – ou sem vontade – de provar o que afirma. E Don começa a duvidar. E Michelle começa a juntar mais peças e a perceber onde Teddy perdeu o juízo. E sempre que a conteúdo começa a melhorar, Teddy vai trabalhar, deixando a conversa filosófica para mais tarde. Então quando chega o desejado dia do eclipse, os eventos sucedem-se de forma mais acelerada. Ainda com humor e horror. Sempre com a dúvida no ar. E quando termina? Satisfaz plenamente. Faz pensar na preservação da natureza. Entretém e permite passar um bom bocado enquanto nos tenta lavar o cérebro. Mas ficou aquela sensação que não será um filme para recordar no dia seguinte. Talvez uma ou outra frase se destaque. Plemons tem uma grande performance (a melhor dele que me recorde) e Stone está bem. Mas ainda assim sabe a pouco. Visto em cinema pode ser tema de conversa no regresso a casa. Na tv será esquecido ao primeiro zapping. Filmes Filmes 2025 AlienígenaAnimaisMulher forteNuno ReisRapto