Bullet Train Nuno Reis, 10 de Agosto de 202210 de Agosto de 2025 Será possível um filme fazer demasiado ao mesmo tempo? “Bullet Train” no trailer disse ao que vinha. Mas não era para o público asiático, ou sequer um realizador asiático por isso supostamenrte suavizariam a obra de Kôtarô Isaka. Se o fizeram, mal se notou. Temos tudo a que tinhamos direito. A história tem lugar essencialmente num comboio de alta velocidade que calha ser ponto de encontro de muita gente invulgar. Na maioria assassinos. Os gémeos Limon e Tangerine transportam um prisioneiro. Kimura está numa missão de vingança. E depois temos os pólos opostos da sorte: Ladybug atrai o azar e tem de encontrar uma mala. Príncipe tem muita sorte e é a única pessoa que entrou no comboio com um plano, o que ajuda a ter sorte. Além deles ainda vão entrar mais alguns assassinos humanos ao longo da viagem, e há uma cobra à solta. E a cada paragem entram mais Yakuza. David Leitch fez um bom trabalho para a experiência que tem. Lidou com estrelas de enorme calibre em pleno confinamento e traz-nos uma história com pés e cabeça. Pode parecer que o filme tem demasiado e, visto de fora, concordaria. Mas ao longo da narrativa vamos conhecendo cada um deles com mais calma. Saber quem são, o que fazem, de onde se conhecem, porque lá estão… E ainda que praticamente todos se queiram matar, simpatizamos com eles e aceitamos que alguns terão de morrer para se ter conclusão. Quando digo estrelas a mais, não é um exagero. No elenco principal Brad Pitt, Joey King, Aaron Taylor-Johnson, Brian Tyree Henry e Andrew Koji. Em pequenos papéis Hiroyuki Sanada, Michael Shannon, Bad Bunny, Zazie Beetz e Logan Lerman. Cameos de Channing Tatum, Sandra Bullock e Ryan Reynolds. Até os funcionários do comboio são Masi Oka como revisor e Karen Fukuhara como vendedora. E devem-me ter falhado alguns pois muitos nem nos créditos aparecem. É difícil reunir melhor. Temos muita acção, violência, humor e situações imprevistas. Especialmente referências a uma velha série infantil que são adequadamente aplicadas à louca situação em que todos se encontram. Por vezes é avassalador e perdemos o foco, mas este comboio não pára e retomamos noutro momento, noutra história a decorrer. Por isso sim, é demasiado, mas é daqueles casos em que isso não faz mal. O filme é demasiado longo para se rever muitas vezes, mas é daqueles casos em que quando se ouve que alguém não o viu, nos “sacrificamos” para o ver em conjunto. E vamos ser surpreendidos uma e outra vez. Filmes Filmes 2022 Nuno Reis