Chime Nuno Reis, 18 de Setembro de 202524 de Outubro de 2025 Kiyoshi Kurosawa tem uma carreira impressionante. São décadas a fazer cinema e ainda que o fantástico seja o seu género preferido, tem sempre temáticas muito variadas. Infelizmente as oportunidades de os vermos por Portugal são diminutas. Quase todos os anos algum aparece em festivais, mas muito poucos chega a ter lançamento comercial. Portanto, havendo uma oportunidade de ver “Shime”, não foi dificil decidir. Fica é o alerta que é uma média metragem. Tem apenas 45 minutos e foi rodado em 5 dias. Deve ter sido uma espécie de escape. A ideia estava lá. Não dava para fazer todo um filme, mas era preciso extravazar para que deixasse de bloquear o aparecimento de novas ideias. Orçamento pequeno, um par de localizações regulares e algumas de passagem, meia dúzia de actores, e está um filme feito. A trama começa numa aula de culinária.O professor, Matsuoka (Mutsuo Yoshioka), quer que os seus alunos aprendam. No entanto há quem lá esteja só para passar tempo, quem tenha nojo de galinhas… todo o género de situações desagradáveis para quem tem brio no que faz. O que os alunos não sabem é que Matsuoka está em entrevistas para os abandonar. E o que também não sabem, é que um som irritante naquele espaço pode estar a causar alguma loucura. O que parece um filme sobre pessoas normais, depressa ganha uns toques de terror. E como o som é muito discreto, parece vir tudo do âmago das personagens, pessoas normais que ficam alucinadas de repente. Como todo o filme é bastante normal, o terror fica mais próximo. Mais real. O que vemos pode ser causado por um som sobrenatural, ou por uma depressão. E se não for porque se atingiu o ponto de ruptura, será a nossa sociedade que normalizou os actos que vemos (sem nomes para não spoilar)? O filme está muito bem realizado e iluminado. O argumento é simples porque, lá está, isto era um conceito, não uma produção completa. As personagens são completamente neutras, sem revelar emoções a mais. Tem tudo, só não tinha argumento para mais e soube parar em vez de esticar. Não considero isto um filme experimental ou uma obra de arte. É uma categoria especial. Uma intromissão no mundano. Começamos a ver, levamos com um terror inesperado no quotidiano, e logo acaba para voltarmos às nossas vidas. Foi arriscado e a opção do festival em mostrá-lo numa maratona parece ter sido a melhor opção. Claro que para quem está acostumado a longas com uma montanha-russa de emoções, isto vai saber a pouco. Uns vão clamar que é uma fraude só haver meio filme. Outros vão tentar extrair mais sumo do que viram. Uma semana depois ainda me pergunto se a forte mensagem sobre reciclagem teria outros significados. Faz tudo parte da magia. Filmes Filmes 2024 CozinhaMOTELx 2025Nuno Reis