Cold Storage Nuno Reis, 8 de Fevereiro de 202622 de Fevereiro de 2026 Liam Neeson trained Batman, Obi Wan, and Darth Vader. He leads the A-Team, rules Narnia, and is Zeus…and he punches wolves. Why would you kidnap his family? É quase impossível não saber quem é . É quase meio século de carreira que atravessa todos os géneros, várias geografias, estúdios e realizadores. Começou no cinema em 1978, a ser reconhecido nos anos 90, e isso prolongou-se pela década seguinte. De repente reinventou-se como um ícone de acção. Teve alguns filmes nesse segmento de moderado sucesso, mas foi fazendo coisas cada vez mais fracas. E ser narrador não é o mesmo que estar no meio da acção. No ano passado saiu . O regresso a um clássico que foi surpreendentemente bem recebido. Até nomeado a prémios. E agora temos uma prova que a comédia de acção é um nicho que só precisa das pessoas certas. Em “Cold Storage” a premissa é simples. Um armazém militar subterrâneo e bem gelado, subitamente começa a aquecer. O suporte técnico encaminha esse alerta para um homem a meio da noite. Para eles, é só uma questão de passar a responsabilidade. A famosa batata quente (ou a batata congelada a derreter). Mas para ele é a missão de uma vida. Ele sabe do invasor alienígena que estava conservado no frio. Um parasita que mata de forma quase instantânea e se propaga de forma eficaz. Um ser altamente inteligente, difícil de matar, mas especializado em matar-nos. Aliás, isto pode bem ser o fim de toda a vida no planeta. Comédia de acção com alienígenas que evoluem e nos querem matar? Desde o início que este filme soa demasiado a . É um elogio, mas é um patamar que está há mais de vinte anos sem rival. Com o decorrer da história tem vários diálogos patetas vindos dos anos 80 e 90 que são completamente inesperados e dão a neccessária frescura a um filme apocalíptico. Temos heróis tão improváveis como inadequados ( e ) a terem uma noite louca, e temos Neeson como a única pessoa que sabe como tudo isto vai terminar. São duas perspectivas dentro do mesmo filme que se complementam. E são tão heróis como ele, apenas por estarem no lugar errado à hora errada. Mesmo que seja a fazer o turno da noite num armazém no meio de nada. O filme avança quase sempre com muita adrenalina e algum humor, mas sem exagerar. Como se viesse ainda algo mais. No fundo o que estamos é quase uma comédia de zombies. Sem as graçolas teria sido um mau filme. Com elas é entretenimento ligeiro. Tem personagens básicas que não precisam de entrosamento pois é um “nós contra eles” até que alguém se transforme. Segue todos os padrões do género sem surpresa e isso permite que todos saibam o que devem ou não fazer. Também aí o humor faz sentido. É uma arma. Estão todos cheios de medo e usam o humor como escudo. Entendem-se porque sentem o mesmo. E o tal algo mais que se esperava, não foi desta. Filmes Filmes 2026 AlienígenaApocalipseMonstro no armárioNuno Reis