Conan the Destroyer (1984) Nuno Reis, 6 de Novembro de 20252 de Novembro de 2025 Quando “Conan the Barbarian” estreou em 1982, o cinema de aventura tinha entrado numa nova fase. Em 1984, mas meio ano antes de Schwarzenegger revelar o seu lado máquina no filme que lhe definiu a carreira, tivemos uma sequela. Só que aí Conan não ia ser uma surpresa e foi muito limitado logo na escrita. Ver como realizador Richard Fleischer (“20000 Leagues Under the Sea” nos anos 50, “Fantastic Voyage” nos 60 e “Soylent Green” nos 70”) parecia incrível, mas fazer fantástico e fazer sword and sorcery não é a mesma coisa. Este novo Conan é muito mais luminoso. Conan afastou as trevas no primeiro filme, e manteve-as longe enquanto longe dos ecrãs. Também não há a carga emocional que o primeiro transbordasva. Apenas a angústia de ter perdido Valeria e de vaguear em busca de alguém que deixou este mundo. Até que a rainha Taramis lhe propõe uma troca. Ele garante a segurança da sobrinha dela em busca de uma jóia mágica. A rainha usará a sua magia para traz Valeria de volta. Conan parte, já não sedento de sangue, mas desejoso de receber a sua recompensa. Ao longo da jornada vai reunindo companheiros de aventura. E isso define o filme. Não temos sangue. Nâo temos fúria bárbara. Não temos paixão. Ainda temos magia, mas foi tudo infantilizado. O herói tem menos destaque, e não temos um grande vilão. Era o início do marketing em Hollywood em que importa ter muitas personagens, mas a vitória tem de ser fácil. E para maiores de 12, para que mais bilhetes sejam vendidos. De todas as personagens bacocas, a melhor é Zula (Grace Jones). Além de exótica, é selvagem e impulsiva. Aquilo que Conan tem vindo a perder com a sabedoria da idade. Mas cada um deles é apenas ingrediente de um espectáculo. Foram colocados lá por uma fórmula que não sabia que Conan era mais do que uma receita convencional. Quanto à magia, apesar de até termos um duelo de feiticeiros e uma criatura demoníaca, só é inteligente numa luta na sala dos espelhos. E até aí o humor tenta estragar. E se Conan era enorme e escultural, aqui até isso tentaram vulgarizar colocando Wilt Chamberlain e André the Giant em cena para o relativizar. Portanto, temos violência sem sangue. Um herói solitário com muitos companheiros. Erotismo sem nudez (só as perguntas inocentes de uma virgem e uma mão a ir na direcção errada). Era o fim de uma era de experimentação irreverente e arriscada sem pensar em bilheteiras, e a entrada em cena das sequelas e da normalização do que era expepcional. No ano seguinte Fleischer e Schwarzenegger voltaram ao género em “Red Sonja” – quase igual a este – mas Conan foi desvanecendo e até hoje esperamos pela sequela King Conan que Milnius nos queria dar. Com um astro que não tem mais nada a provar, para um público que vai ver filmes para maiores de 18 sem pudor. Filmes Filmes 1980's ConanGuerreirosMagiaMulher forteNuno ReisSword and Sorcery