Dakota Nuno Reis, 17 de Outubro de 202227 de Dezembro de 2025 Por vezes passam uns filmes na televisão que teríamos dispensado. E filmes em que uma criança e um cão ocupam todo o cartaz, cumprem certamente todos os critérios para estarem nessa lista. Mas quando se vê o nome de Abbie Cornish ainda se acredita que talvez finalmente seja algo bom… Kate é viúva. Perdeu o marido Clay no Afeganistão. Tem por isso a quinta de ambos para gerir, e herdou dele o cargo de chefe dos bombeiros voluntários locais. Como se isso não bastasse, a quinta está quase falida e a filha Alex é muito prestável e criativa em formas de ajudar. Para completar o quadro, o xerife local não parece boa peça e um companheiro de armas do falecido traz-lhes Dakota, a cadela que acompanhou Clay nos piores momentos. Tudo nesta sinopse indica “filme para televisão”. Posso acrescentar que o orçamento é ainda abaixo do que vimos nas produções Hallmark que abundam nos horários mortos das televisões. O facto de ter Abbie Cornish e William Baldwin no elenco em nada contribui para a qualidade do filme. Foi apenas uma forma de Kirk Harris fazer mais um filme com a promissora Lola Sultan com quem já tinha feito dois antes. Os argumentos com bons papéis para crianças não abundam, mas aqui foi um abuso. É tudo previsível, as actuações são péssimas, e a produção consegue ser a pior que vi em muitos anos, incluindo projectos de estudantes. Por exemplo, a porta do quartel dos bombeiros nunca está aberta o suficiente para o camião sair. Quando à jovem estrela, ela convence. Fala nos momentos certos, tem expressões engraçadas, e aguenta o filme sozinha quando lhe é pedido. Podiam ter cortado em tudo o resto e focar-se só nela que o filme teria sido melhor. O filme termina dedicado a todos os veteranos, famílias e cães. Centra a narrativa em polícias e bombeiros e no stress dessas profissões. Mas é uma ofensa a todos eles. Também fala dos problemas dos pequenos proprietários, e como precisam de milagres todos os dias para seguir em frente. Mas numa perspectiva de conto de fadas em que sabemos que terá um final feliz. Ou seja, sugere que sabe dos problemas, mas não apresenta nenhuma solução. Não ajuda, não passa uma boa imagem, é mero aproveitamento. O filme na vertente humana é para esquecer. Sobra a cadela que apesar de simpática, não é maravilhosa nem faz a magia de outros cães do audiovisual. Filmes Filmes 2022 CãoNuno Reis