Damsel (2024) Nuno Reis, 14 de Março de 202415 de Agosto de 2025 Este filme tem a vantagem de ter sido maioritariamente filmado em Portugal, o que fica claro quando vemos a maravilhosa paisagem. Ainda assim, só a equipa técnica é nacional, na parte artística não há uma única cara que se reconheça (e mesmo nos créditos só um). Elodie é a primogénita de um Lorde empobrecido. Ao receber uma proposta de matrimónio, ele prontamente aceita vender a filha em troca de um substancial dote que permita manter os habitantes das suas terras vivos mais uns invernos. A viagem para o reino de Aurea decorre sem incidentes, é um território belo e verdejante, e o príncipe prometido também não é nenhum sapo e partilha com ela o sonho de viajar e ver o mundo. Está tudo alinhado para facilmente cumprir as suas obrigações de princesa e futuramente rainha e esperar pelo seu “e viveram felizes para sempre”. Todavia, este é daqueles títulos que nos fazem logo pensar “não vai ser isso, não pode ser isso”. Quando vejo este género de filmes lembro-me sempre da expressão que Alice Waddingon repetiu até à exaustão: “Em pequena eu adorava os filmes de aventura e fantasia, mas não me sentia representada. Eu também queria salvar princesas e enfrentar dragões.”. Mesmo quem não for feminista no cinema, pelo menos terá visto umas dezenas de slashers em que a suposta donzela indefesa leva a melhor contra um brutamontes do género masculino. Millie Bobby Brown a ser uma donzela? Dizer que isso não vende bilhetes seria um eufemismo. Mesmo sendo um filme que se pode ver gratuitamernte na Netflix, multidões cancelariam a assinatura em protesto. E portanto, satisfazendo a vontade das hordas sedentas de sangue, “Damzel” não é sobre ser uma donzela. É sobre tomar as rédeas do próprio destino nas mãos e enfrentar as expectativas da sociedade. Elodie vai chegar a um reino com costumes diferentes do seu, mas que não lhe são completamente estranhos. Excepto por um pequeno detalhe que lhe omitiram e que a deixa levemente irritada. Aquela parte que envolve uma dragão que alguém irritou há vários séculos e ainda está ressentida. Nada contra darem o protagonismo a Brown, já começa a ser normal cada estúdio usar os seus trunfos, mas a quantidade de talento desperdiçado neste filme é simplesmente estúpida. O pai de Elodie é Ray Winstone e a madrasta é Angela Bassett. Em Aurea o principe é Nick Robinson e a rainha é Robin Wright. E no geral estão todos subaproveitados. Faz parte do twist fazer-nos pensar que Elodie vai interagir com todos eles, quando na verdade é um filme que por uma hora tem só uma personagem. Não me convenço que tenham usado todos estes no elenco e Fresnadillo na realização para sair isto como produto final. A parte fantasiosa do filme está boa e os efeitos no ponto (o dragão é bastantte reptiliano, a fazer lembrar os últimos godzillas). Ainda assim, consegue assustar o suficiente, sem sair da classificação maiores de 12. Não é mau, só podia ter sido muito mais, ou ter sido igual com muito menos. Filmes Filmes 2024 NetflixNuno Reis