Dangerous Animals Nuno Reis, 5 de Julho de 202523 de Outubro de 2025 Existem alguns animais perigosos, principalmente na Austrália. Mas todos sabemos bem que nenhum é mais perigoso que o ser humano. Este filme com o pretexto de nos falar de alguns tubarões, vai falar tanto dos predadores marinhos como dos terrestres. A história acompanha Zephyr, uma surfista americana em digressão numa carrinha velha pela Austrália à procura dos melhores pontos de surf. Ela tem a infelicidade de se cruzar com um nativo que prefere tubarões a pessoas e pensa que os humanos só serevem para isco. Terá Zephyr argumentos para escapar a um predador experiente? Sean Byrne tem tido uma bela carreira. Vi as três longas que já dirigiu e são de terror. Tive inclusivamente oportunidade de o entrevistar por ocasião da segunda e também causou boa impressão. Este terceiro projecto começou de forma relativamente banal. Tem algum humor, belas imagens subaquáticas dos reis do oceano, mas estava a demorar a começar a ser terror. Todavia, talvez por ser dedicado ao tubarão, assim que o sangue começa a jorrar ficou muito mais interessante. Pois é aí que os créditos iniciais surgem e o filme começa. Temos um novo filme que pega numa fórmula muito comum, mas com ela sai do banal e aproveita para experimentar. O filme é um pouco mais longo do que aparenta, por o visonamento não cansar. Byrne consegue extrair o máximo de cada elemento sem parecer repetitivo, mesmo num espaço limitado. Mas o grande trunfo é Hassie Harrison. Com uma carreira discreta e principalmente assente na televisão, não pareceu nada incomodada por ter o protagonismo. Aliás, usou muito bem a oportunidade para mostrar do que é capaz e dá-nos uma heroína independente, feroz (como é descrita pelo oponente), mas que também entra em pânico e por vezes fica sem saber o que fazer. Faz o trabalho parecer fácil. Mas o filme também tem defeitos. Principalmente nos ferimentos que parecem mortais, mas apenas deixam inconsciente por uns momentos. Nem jorram sangue, nem deixam marca na cena passada horas depois. Mas para compensar, são realistas a mais nos ferimentos de tubarão. Em vez de mostrarem uma pessoa a ser engolida inteira, ou abocanhada até desaparecer, sabem deixar alguns pedaços. Mas o melhor? Nunca deixam a pressão do terror apenas no animal. O animal é responsável pelo suspense, mas o terror é quase sempre humano. Vários filmes contra essas criaturas fazem divisão humano bom, animal mau. Aqui deixam os humanos de ambos os lados, e os tubarões serem animais instintivos como era suposto. Mordem para se alimentarem, não por maldade. Isso e o humor. O terror costuma ter sempre algum humor a meio para quebrar. Por vezes muito bom, outras muito mau e a despropósito. Aqui há apenas um escape cómico e tão bem enquadrado na história que quase o tinha esquecido. No geral é um filme muito competente que, espero, trará Byrne de volta à ribalta. Filmes Filmes 2025 Nuno Reis