Dawn of the Dogman Nuno Reis, 10 de Dezembro de 20259 de Dezembro de 2025 O Cinema tão depressa é cultura como é entretenimento. O género documental tanto pode servir para espalhar conhecimento como fazer uma simples preservação para memória futura. E não há melhor forma de convencer as pessoas a verem do que juntando uma aura de mistério e o cheiro a sangue. A Small Town Monsters parece ter descoberto o seu nicho. Como o nome sugere, o seu foco não é nos monstros de quem todos falam, mas nas lendas das terras pequenas. Percorrem os Estados Unidos a ver que criaturas fazem parte do folclore. Temos clássicos como o Sasquatch e um monstro do lago, mas por vezes trazem criaturas originais. O mais recente filme – lançado ontem – é sobre o Dogman, uma espécie de lobisomem nas florestas a norte do Michigan. A vantagem da criptozoologia é que não existem grandes provas. Cada pessoa acredita no que quer. Aqui chegam a colocar a hipótese de serem criaturas transdimensionais ou extra-terrestres como justificação para não se encontrarem vestígios. O documentário faz um bom trabalho na organização das entrevistas, na cronologia e até na acreditação dos entrevistados. Quem quiser acreditar, tem tudo pronto. Quem não quiser, também se entretém enquanto vê e não há imposição de crenças. Apenas opiniões convincentes. Além de ter a duração certa, tem o conteúdo certo. Várias imagens para ilustrar os avistamentos. Uma narração eficaz. E apesar de darem alguns nomes de localidades, não caem na tentação de mostrar mapas para levar as pessoas até lá num turismo perigoso. Ficamos a saber que o movimento começou em 1987 quando um locutor de rádio lançou uma música original no 1 de Abril com alguns relatos que tinham ouvido sobre a mítica criatura. Desde então não pararam de lhe chegar relatos semelhantes. Dos locais que cresceram a ouvir histórias. De pessoas que acamparam a ouvir os uivos. De pessoas que viram os olhos brilhantes e não os esquecem. Uma criatura antropomórfica com mais de dois metros de altura e uma cabeça de lobo ou cão. Um olhar inteligente e um uivar de respeito, apesar de não fazer gelar o sangue. Ao ver os números atingidos por outros títulos da produtora no Youtube, acredito que isto até seja um negócio eficaz. Obriga a uma investigação algo longa, mas cada filme é feito por pouco dinheiro, com uma equipa pequena, e atinge um bom número de visualizações. Ainda por cima é um filme fácil de encontrar pelos novos públicos, fácil de ver mesmo pelos cépticos, e fácil de rever por quem já o viu. E tem a enorme vantagem de preservar estas lendas o que é quase serviço público. Há muito reaproveitamento do material (neste três anos além do Dogman do Michigan saiu outro filme sobre o Dogman na zona do Tennessee/Kentucky e outro sobre o Dogman no Texas), mas cada filme é específico o suficiente para funcionar com o seu público. Filmes Filmes 2025 antologiadogmanfolcloreLendasNuno Reis