Dead Mail Nuno Reis, 24 de Janeiro de 202624 de Janeiro de 2026 Já todos ouvimos variações do lema não oficial dos correios que se repete pelo mundo fora: “Nem a neve, nem a chuva, nem o calor, nem a escuridão da noite impedem estes mensageiros de cumprirem rapidamente as suas missões.” Este filme vem colmatar uma grande falha e falar dos heróis que estão escondidos numa cave, a garantir que cada carta chega ao seu destino. Tal como a polícia tem casos arquivados – ainda não resolvidos, mas demasiado graves para esquecer – os correios têm uma secção de correio morto. Ou seja, que não vai para lado nenhum. Cartas que até estão seladas, mas a morada não permite localizar o destinatário. Esse cargo implica um trabalho hercúleo. Por vezes é apenas uma rua em falta, mas pelo código postal chega-se lá. Outras a chuva borrou todo o texto e não há um ponto de partida. Esta é a história verídica de como nos anos 80 um papel aujo e rasgado apareceu no marco de correio e, em vez de o deitarem fora, colocaram com o correio morto. O papel diz que uma pessoa está presa em morada incompleta. Será uma partida, ou haverá mesmo alguém em perigo? Jasper, o encarregado de autópsias dessa estação, deixa-o em segundo plano – aquilo nem é uma carta – mas tem alguma curiosidade em decifrá-lo. Nem que seja para provar que é falso e dormir descansado. O filme tem duas coisas que o colocam fora da lista de prioridades para muita gente, A primeira é um ritmo próprio. Não é terror ou um thriller que nos lança pistas constantes. Não temos um assassino em série desgovernado ou com planos geniais nem uma investigação policial em que cada homem dedica todos os minutos do seu dia a isso. A polícia não quer saber de papéis velhos. É apenas sobre um homem com uma missão que resolve todos os problemas que lhe surgem. Dois, na verdade. A segunda particularidade é ser contado por partes desordenadas. Primeiro vemos a carta a viajar até um climax precoce. Depois vemos como chegamos a isso e ainda o que é feito de cada uma das pessoas reais retratadas no filme. Temos interpretações sólidas de personagens quase normais. Temos vários detalhes bem interessantes que podem passar despercebidos por a realização não ter complicado. Alguns cenários bem conseguidos que acentuam a claustrofobia. Temos planos bem difíceis de conseguir em espaços apertados. E temos uma história sobre uma pessoa que marcou profundamente aqueles com quem trabalhou. Um filme para apreciar no momento e talvez esquecer depressa, mas que tinha de ser contado e não podia ser melhor. Filmes Filmes 2025 História VerídicaMúsicaNuno Reis