Dead Man’s Wire Nuno Reis, 23 de Fevereiro de 202622 de Fevereiro de 2026 Olhando para a ficha artística do filme, parece que foi feito um enorme trabalho de preparação para reuniir os melhores talentos. A verdade é completamente diferente. Foi pura sorte. O produtor ia fazer este filme com outro realizador e protagonista. Quando o filmagem atrasou, a estrela ficou indisponível e o realizador disse que não queria fazer com mais ninguém, o filme estaria condenado. O filme esteve condenado. Estava Elwes a lamentar-se disso a um amigo num café, quando entrou . Encarando-o como um sinal do destino, o produtor arranjou um realizador na hora. ao saber quem dirigia arranjou dois dias para filmar o papel que ninguém queria. filmou tudo num só dia. como o nome sugere é irmão. E a liderar o elenco um , ultimamente estão em todo o lado. A trama é baseada num evento real. Em Fevereiro de 1977 Tony Kiritsis entrou nos escritórios da Meridian Mortgage Company, com quem tinha uma hipoteca. Ele tinha uma reunião para protestar e esperava falar com M. L. Hall, o fundador da empresa. Só conseguiu Richard Hall, o filho. Portanto adaptou-se. Pegou na caçadeira. Prendeu-a ao pescoço de Richard com um fio no gatilho (para garantir que aquilo disparava se o deitassem abaixo com um tiro). Saiu porta fora com um refém. Um canal local estava por perto e uma grande parte do evento foi gravado. Estava dado o pontapé de saída para um movimento. Tony quer ser ouvido. Ele sente que foi enganado pela empresa, que lhe sabotaram o negócio com base na informação que deu. Só quer que a empresa admita e lhe devolva a quantia justa. Enquanto uns o acham louco ou desesperado, outros acham que tem raz#ao e as empresas se aproveitam das pessoas. A fazer lembrar um caso recente em que Luigi Mangione foi acusado de assassinar o CEO de uma seguradora e muita gente ficou triste por ele ter sido apanhado. Só que isto tem lugar nos anos 70. Quando ouvimos Tony a dizer “I am mad as hell”, é difícil não ser transportado para o mais icónico , estreado nem três meses antes deste evento ter lugar. “Dead Man’s Wire” é um drama sobre duas pessoas desesperadas (o raptor e o raptado) por motivos diferentes. É sobre as televisões sedentas de sangue e audiências. É sobre um locutor de rádio apanhado no meio disto por ser reconhecido como a voz do povo e alguém justo. E é a polícia a tentar descalçar a bota. Já o senhor Hall sénior, apenas não gostou de ser incomodado. O estilo visual vai buscar muito ao cinema de então. Fotografia, edição, ângulos, o filme parece ter vindo de outra era. Por vezes temos frames que perduram por um segundo como para intercalar cenas. Para nos deixar em suspenso antes dos próximos desenvolvimentos. Isso sem falar dos clips televisivos que esses sim, são totalmente anos 70. Tanto os fictícios, como os autênticos compilados no final. É um filme que provoca a discussão. Tony é mais um anti-herói que um criminoso. Planeou tudo bem, só que o plano não é muito inteligente. É uma das personagens que consegue mais simpatia. Mas aos poucos também temos simpatia por Richard. Reconhecemos como uma vítima. Além disso, uma bala acabaria com a vida de ambos e, nem que seja por associação, não queremos isso. É um filme com uma forte mensagem e boas interpretações, mas que podia ter ido mais além. Tem demasiados momentos mortos a meio, onde sobrou tempo para trocas de ideias filosóficas e até um sonho. Este confronto pode ter durado dias, mas quando se fala de crime em directo, precisa-se de mais adrenalina. Filmes Filmes 2026 Nuno ReisRaptoTelevisão