Dog Man (2025) Nuno Reis, 15 de Outubro de 202523 de Outubro de 2025 A animação “Dog Man” passou-me despercebida. Neste final de ano (já?) e com as corridas a nomeações em curso, a DreamWorks quis dar destaque a este título como uma das suas grandes apostas do ano. Baseada na popular série literária de Dav Pilkey (o criador do também icónico “Captain Underpants“), será uma enorme surpresa para quem não conhecer a obra. Dirigido pelo realizador estreante Peter Hastings (que vai escrevendo há 35 anos para séries animadas da Disney, dos Looney Tunes e Kung Fu Panda) o filme capta toda a essência da obra original. Ou seja, transborda loucura e caos em cada cena. O filme segue a premissa do livro: após um acidente fatal, o corpo de um polícia é fundido com a cabeça do seu cão, dando origem ao Homem-Cão. Qualquer semelhança com Robocop é pura coincidència. Este super-agente tem o corpo do humano, e o cérebro do cão. Ou seja, o melhor dos dois agentes. Mas para a cidade precisar de um herói, tem de ter um vilão. Aí entra o seu arqui-inimigo Petey, o “gato mais malvado do mundo”. A narrativa é uma sucessão de piadas que nem se tem tempo de perceber e sequências de ação exageradas, típicas do universo de Pilkey. Todos os edifícios dizem em letras garrafais o que são. As várias fugas de Petey são estupidamente simples. O chefe só comunica gritando com ele. O filme não tem medo de roçar o ridículo e será uma tortura para quem não tiver o cérebro hiperactivo de uma criança. Mas esse é o seu maior trunfo: saber a quem se dirige e não querer saber de mais nada. Claro que essa fonte de ideias não daria para uma longa, tem de ter um pouco mais de sumo. E não o iriam conseguir com um protagonista que comunica por latidos. Neste caso a solução foi um enredo familiar em torno de Petey. Uma narrativa muito rica que traz temas emotivos, como o abandono infantil e os traumas que se perpetuam por gerações. A definição de se ser boa ou má “pessoa” e como não é tão simples como preto e branco. E alguns temas secundários para desanuviar. É um filme que sabe o que quer e para quem é. Surpreende ao combinar o estilo irreverente e exagerado dos livros que as crianças querem, com uma trama substancial que agradará aos acompanhantes adultos arrastados para a sessão. Recebe bem quem andou alheio ao material original, mas não desilude quem já sabe a história de cor. É demasiado louco para aguentar visionamentos sucessivos ou sequer em semanas próximas – principal critério para filmes infantis – mas é uma experiência única que se deve espreitar. Filmes Filmes 2025 AnimaisfamíliaLoucuraNuno Reisplano falhadoPolícia