Drop Nuno Reis, 16 de Abril de 202511 de Janeiro de 2026 Violet é viúva e mãe, mas ainda atraente. A irmã convence-a a ir num encontro com o homem misterioso que conheceu numa app e com quem tem trocado mensagens há meses sem se conhecerem em pessoa. Mas ao chegar ao restaurante, começa a receber mensagens de um estranho a exigir que ela faça umas coisas por ele, ameaçando a casa onde a irmã e o seu filho pequeno estão repousados. Sujeita a uma vigilância ímpar, Violet vai ter de improvisar para escapar da perigosa situação. Tudo isso enquanto mantém um sorriso para não estragar o encontro. Drop em inglês tem vários significados. Mesmo sem entrar no calão moderno, tem pelo menos o de “gota” (como na unidade mínima que se deitaria de líquido) e, também derivado do que os líquidos fazem, há o sentido de “cair/largar” (a chamada caiu, larga a arma). Também podemos usar para referir eventos breves como “passar por aqui” (drop by) ou, na àrea das tecnologias, para enviar/receber mensagens (I’ll drop a message/the message just dropped). Uma grande confusão. Quando vai ser usada como título de um thriller podemos pensar de várias opções. Mas aqui combinam tudo. Tem lugar num restaurante panorâmico, portanto a queda é uma possibilidade. Violet tem de largar todos os seus planos e seguir as ordens. E está a ser controlada por uma app chamada Drop (não é uma app real, apesar de haver várias com esse nome) onde recebe mensagens a pedir que faça algumas coisas desagradáveis ou mesmo criminosas. E claro, também há uns líquidos suspeitos, além de muito vinho tinto. Com tal riqueza no idioma original, “Número Desconhecido” foi mesmo dos piores títulos em que poderiam pensar para a tradução. O primeiro detalhe é que finalmente temos um filme que foge ao convencional. Nem é uma coisa estúpida para adolescentes, nem é para quem quer algo para o cérebro. Fica num meio termo em que o espectador pode tentar decifrar quem é o jogador, ou deixar-se levar narrativa. Tem vários momentos que cortam o ritmo, inclusivamente humor metido à força, mas isso é para nos trazer de volta para a realidade de, pelo menos na fachada, ser um encontro romântico, e o horror acontecer nas entrelinhas. Várias das situações são normais para um restaurante e contribuem para a qualidade do filme, mas abusou. Também esteticamente há momentos criativos que ao início eram um exagero, mas depressa são esquecidos. Em suma, tenta ser tudo sem ser nada. Mas o pior é mesmo o péssimo encontro que o pobre Henry está a ter. A não ser que ele acredite imenso que vai ter sorte, qualquer outro homem teria fugido bem depressa daquela louca. Será uma aposta interessante para casais no primeiro encontro (podem dizer que o vosso não é tão mau como aquele), mas todos os outros podem dirigir-se a outra sala para ver uma coisa diferente. Filmes Filmes 2025 encontroespaço fechadoNuno Reistelemóvel