East of Wall Nuno Reis, 30 de Agosto de 202527 de Dezembro de 2025 Este título tem uma coisa de diferente. É que na maioria dos filmes apostam em actores profissionais para encarnarem as personagens que não são com credibilidade. Em “East of Wall” temos a receita contrária. Exceptuando Scoot McNairy e Jennifer Ehle, são todos amadores. Mas cada um está a interpretar uma versão de si mesmo. A história acompanha Tabatha, uma criadora de cavalos que tem de gerir o rancho sozinha depois da morte do marido. A filha Porshia tem um talento nato para a equitação e os vários prémios ganhos são prova disso. A outra actividade que fazem é ensinar. Um pequeno grupo de adolescentes passa lá os dias a cuidar de cavalos, a domá-los e a cavalgar. A venda constante dos animais é a única forma de não falirem. No entanto, Tabatha continua a pensar nos outros primeiro e a acolher no seu lar os jovens desamparados que lhe pedem ajuda. Aumentando a pressão financeira além de todos os outros problemas. Kate Beecroft, uma realizadora que por vezes é actriz viu potencial naquelas pessoas. Naquele contexto. Apõs três anos a conviver com a família e o negócio, escreveu uma espécie de filme que é quase um documentário sobre aquele estilo de vida. Fácil de perceber em traços gerais, profundo para quem quiser aprofundar o tema. É uma nova visão sobre o meio rural. Gente que ainda faz rodeos e treina cavalos, mas que faz videos no TtikTok para os vender. Que ainda vivem de forma simples, mas não evitam a sociedade moderna. No final é a parte dos cavalos que funciona melhor. Diferente do documentário habitual, mas com muita informação e injectando sentimento suficiente para cativar. Visualmente a única aposta certa era nas paisagens e nos animais a galopar e é isso que temos. Quando alterna para os momentos familiares perde algum ritmo. Tenta puxar à lágrima e, por muito real que seja, parece cliché. Nessa parte daria jeito terem usado profissionais. Quanto aos jovens, acabam por ser demasiados e nem temos tempo para os conhecermos todos, nem há algum que se destaque. Fica uma imagem vaga da situação geral, mas Porshia é a única que tem uma linha narrativa própria. É a que tem uma possibilidade de futuro. Depois dos cem minutos do filme, percebemos a angústia destas pessoas. Os vários traumas que as perseguem e dos quais é difícil escapar sem um golpe de sorte. É fácil de ver, mas não se recordará. Filmes Filmes 2025 adolescentescavalosInternetMulheresNuno Reis