Eephus Nuno Reis, 25 de Dezembro de 202526 de Janeiro de 2026 O basebol não é um desporto que me agrade ou sequer que tenha interesse em aprender. É um fenómeno cultural dos Estados Unidos que eles tratam da forma realista: chamam World Series ao seu campeonato pois mais ninguém quer saber. Mas longe das ligas profissionais, há todo um outro mundo. As ligas infantis costumam ser tema secundários em vários filmes, mas raramente se fala das ligas recreativas. Este filme vem ocupar o nicho. No último dia de actividade dum estádio, duas equipas defrontam-se para o derradeiro jogo. Nâo pelo título de campeões da sua rua, apenas para se despedirem de um recinto que faz parte da suas vidas. Solteiros e casados, novos e velhos, que amam o desporto ou estão lá apenas pela cerveja, não fossem os uniformes e não saberiamos distinguir. Durante o jogo, todos são iguais. Este jogo tem uma carga emocional e simbólica para muitos deles. Ainda que alguns se prefiram afastar, há jogadores suficientes para terminar o jogo. Seja como for. “Eephus” demora muito tempo a colocar as peças. Metade da duração é para irmos conhecendo estas personagens e as suas manias. Os insultos atirados a quem decidiu demolir aquele campo para fazer uma escola. Ou a quem passa para mandar comentários sem ter respeito pelo jogo e pelas memórias. Vamos ouvindo conversas. Nâo memórias de jogos passados – esses também não importam – conversas entre amigos de longa data, que se encontraram na véspera e se encontrarão no dia seguinte. Com ou sem campo, equipa vermelha ou azul, continuam a ser uma comunidade. O basebol era o pretexto, não o motivo para se reunirem. Foi a primeira obra de Carson Lund e teve honras de estar na Quinzena de Cannes. Não por grandes estrelas no elenco ou por ser um tema francês, apenas por falar da vida e da idade sem grandes discursos. Conversas banais, pessoas banais, um evento banal para quem não for parte disso. Mensagens diferentes para os jovens (o que fazer depois disto?) e para os velhos (a minha vida como a conhecia mudou de vez). O lançamento Eephus é descrito como uma rota em parábola com algo de mágico. Como é muito raro engana o batedor em termos de velocidade. Recorrem ao aparentemente lendário Bill Lee dos Red Sox para executar esse lançamento em tela, mas o filme de Lund faz o mesmo. Tem uma velocidade própria e engana. É normal quase sempre e entra no inverosímil quando necessário. No final, não é um filme que marque ou que sequer se recorde, mas que é reconfortante ver. O filme vai passar dia 30 de Janeiro de 2026 em Lisboa, no festival Outsiders Filmes Filmes 2025 basebolCannes 2024DesportoNuno Reis