Eleanor the Great Nuno Reis, 6 de Fevereiro de 20266 de Fevereiro de 2026 Todos temos uma grande história para contar É incrível como uma carreira pode começar tão tarde. Há cerca de um ano estava a comentar na crítica de que aos 90 anos tinha conseguido o seu primeiro papel de protagonista. E aqui está ela outra vez, num papel ainda mais exigente. Mas enquanto Thelma era uma velhinha quase como tantas outras, apenas mais mexida, Eleanor é um caso especial. Como o título sugere, ela é grande. Tudo começa na solarenga Flórida onde Eleanor e Bessie são duas reformadas de idade avançada com uma vida pacata. Quando Eleanor regressa à sua Nova Iorque por exigência da filha, sente-se só. A contar com isso, a filha inscreveu-a num grupo coral para reformados. Na esperança que a mãe se mantenha ocupada, faça amizades e, se tudo correr bem, se decida a ir para uma residência assistida. O que não esperava era que nessa sala estivesse Nina, uma aspirante a jornalista que viu em Eleanor mais do que uma vida sem futuro. Viu uma mulher com um enorme passado e um dom para o contar. Assim vai nascer uma amizade improvável e duas mulheres perdidas vão-se apoiar numa jornada de descoberta. Este é daqueles filmes que quanto menos soubermos à entrada, mais aproveitaremos durante a sessão. Posso dizer que é sobre a perda vista por quem já muito viveu e muitos perdeu, e por quem é demasiado jovem para já ter sofrido tanto com a morte. Tem questões filosóficas, históricas e até uma conveniente discussão teológica totalmente relacionada com o tema do filme. É uma inesperada oportunidade para rir com um tema pesado e para torcer por uma pessoa mentirosa. A estreia de Scarlett Johansson como realizadora não tem reviravoltas narrativas, efeitos especiais ou algo complexo e caro. Até o elenco é reduzido. Está tudo assente no enorme talento de Squibb para ser como sempre foi – desbocada e inspirada – aqui apoiada por uma promissora que ultimamente tem sido presença muito frequente nos nossos ecrãs. Em papéis menores até temos , mas essa parte da história não é relevante ou memorável. O importante é como dois espíritos bondosos (no caso de Eleanor temos de procurar essa faceta bem fundo) se encontraram e se salvaram. Eleanor estava infeliz nesse regresso a casa e tão distante da família como quando estava a 1800 quilometros. Nina está sem rumo, incapaz de falar com o pai sobre quem ambos perderam e de encontrar alguém que a perceba. Ambas mereciam e precisavam de uma causa para se reerguerem. Encontraram-se uma à outra. Um filme muito simpático que dá gosto ver. Filmes Filmes 2025 famíliaholocaustolutoNuno Reisvelhice