Every Heavy Thing Nuno Reis, 17 de Setembro de 202528 de Novembro de 2025 O mercado está saturado de thrillers com elementos tecnológicos. E entre todas as produções independentes, este é daqueles temas onde mais depressa se percebe quando falta orçamento. “Every Heavy Thing” tem muitos pontos fracos, mas tenta afirmar-se como uma obra fora do comum. É de nicho e quer um público que a aceite como é. A história acompanha Joe, um vendedor de anúncios de um jornal quase falido. A existéncia monótona em que ele se arrastava tem uma enorme reviravolta quando testemunha um assassinato fora do comum. Vais-se tornar uma testemunha silenciosa, depois um cúmplice, e finalmente quase um amigo do criminoso. Quando começa a investigação, é sempre suspeito. A pessoa errada no local errado. E enquanto a polícia está às aranhas, uma colega dele está a investigar demasiado perto da verdade. Jovem, elaprecisa de um furo para se afirmar profissionalmente. Como ele a pode proteger e despistar sem se tornar mais suspeito? O filme faz lembrar o tempo dos VHS. Pela estética, pela narrativa, mas tambén tecnicamente, pelas ocasionais quebras na imagem e distorções sonoras. Utilizou os poucos recursos como uma vantagem narrativa. Torna cada situação numa crítica social. Joe é uma personagem original. Completamente perdido e incapaz de lidar com a pressão a que está sujeito, é um guia ineficaz por esse mundo. Não é um investigador – o seu trabalho é vendas – nem quer ser um herói. Tem o mundo a colapsar à sua volta e a sua ansiedade cresce de forma correspondente. No entanto, é o único que percebe metade dos acontecimentos e portanto quem está mais perto da verdade. As restantes personagens são estranhas. Isso fica claro quando a sexagenária Barbara Crampton surge como uma cantora revelação. Os outros são estereótipos de personagens de um film noir, com um intruso mais adequado aos tempos modernos. Fora de tom e de época. Acaba por ser muito desestabilizador e levar o desfecho para território onde não devia estar. O filme tem o seu próprio ritmo que é complicado de ver, mas o toque final é menos rebuscado e dos elementos mais normais. Essa grande inconsistência arruina toda a experiência passada. No final, “Every Heavy Thing” foi arriscado e irreverente, mas não foi fácil. Demasiadas tentativas de ser original e diferente. As mortes inesperadas e criativas assim como o inspector da polícia acabam por ser os melhores elementos, mas nada que seja memorável. E por isso, um filme que se esquece no dia seguinte. Filmes Filmes 2025 invesJornalismoMOTELx 2025Nuno ReisVigilância