Familiar Touch Nuno Reis, 26 de Fevereiro de 202628 de Fevereiro de 2026 Envelhecer nunca é fácil, mas algumas partes do processo são piores que outras. O grande medo é que se perca a saúde ou a autonomia. Que deixemos de ser adultos e nos tornemos como uma criança grande. Este filme foca-se num tema que nunca é devidamente explorado: as falhas de memória. A sua argumentista/realizadora tem explorado a idade e a demência pelo que este trabalho vem de muito conhecimento pessoal. Em “Familiar Touch” vamos acompanhar Ruth (), uma octagenária que nos parece bem, mas que o filho leva para um lar. Ofendida pela situação, tem muita dificuldade em integrar-se com aqueles velhos caquéticos. E acaba por dar a volta à situação mostrando que é uma pessoa desenvencilhada. Em especial com a enfermeira Vanessa que se mostra muito acessível. Mas a verdade é um bocado diferente. O filho poderá ter razão. O filme é muito parado. Ao contrário de em que a velhinha parte numa aventura, aqui estamos muito confinados. As conversas são limitadas por serem quase desconhecidos entre eles (e Ruth os achar desinteressantes). Mas vamos tendo algumas pérolas. Ruth adora cozinhar e dá-nos umas lições. O filho ao arrumar a casa traz recordações do passado para a narrativa. E vamos descobrir tão depressa como Ruth que pode não estar informada de todos os detalhes… ou não se lembrar deles. É um retrato fiel do que é estar num lar, do que é ter acompanhamento médico regular, do que é não gostar de lá estar, mas não ter nenhum sítio melhor para ir. De estar quase que a contar os dias de vida restantes. Não tenta embelezar, apenas mostra uma perspectiva entre muitas possíveis. É um filme que deve ser visto cedo na vida. Não digo isso por ensinar a respeitar os idosos. É mesmo porque as memórias recentes são as primeiras a ir e convém recordar esta história por muito tempo. Porque deixar uma pessoa num lar não significa abandoná-la. Significa deixá-la ao cuidado de outros. É preciso manter o contacto telefónico, físico, e criar novas memórias enquanto se tenta manter as antigas. Também mostra como se pode ser amável para as pessoas e criar um bom ambiente para todos. A chegada de Ruth desestabiliza um pouco o centro, mas no bom sentido. Nunca vemos o piso dos casos mais complicados, mas sabemos que tomar conta dessas pessoas pode ser um emprego muito triste. Qualquer momento de alívio proporcionado, qualquer sorriso criado, melhora o dia de alguém que só está a cuidar de quem muitas vezes não quer ser ajudado. Filmes Filmes 2025 MemóriaNuno Reisvelhice