Melinda and Melinda Nuno Reis, 5 de Janeiro de 200512 de Agosto de 2025 Passaram-se décadas desde o último drama de Allen. Quando se recorda os tempos áureos dele é das comédias que todos falam. Apesar de Allen não se ter imortalizado com os dramas é um génio comprovado em comédias dramáticas e os imensos fãs do realizador de certeza que adorariam ver um novo drama criado por essa mente. Mas, e se tivessem de escolher entre comédia e drama? Com Melinda fica provado que o empate é um resultado justo. Imaginem um casal que está a dar um importante jantar quando lhes surge à porta a visita inesperada de Melinda, uma mulher problemática que consegue tornar o jantar inesquecível e indirectamente desfazer o casamento. Pela sinopse parece um drama, mas escrito por Woody Allen seria um drama ou uma comédia? Bem, ele conseguiu ambos. O filme começa mostrando um jantar de amigos que discutem a vida e, partindo da história resumida de Melinda, dois deles constroem toda a história, um como sendo uma comédia, outro como sendo uma tragédia, intercalando narrativas. A comédia é ao bom estilo que Allen nos habituou, inteligente, mordaz, tornando as situações do dia-a-dia do casal Hobie/Susan – Will Ferrell e Amanda Peet – agradáveis apesar da situação delicada em que se encontram. A tragédia é com outro casal, Lee e Laurel – Chloë Sevigny e Jonny Lee Miller – que quando essa mesma Melinda (Radha Mitchell) lhes aparece, vêem o casamento seguir o destino trágico que se previa. Igualmente ao melhor estilo de Allen. Allen continua à procura de um substituto entre os comediantes do cinema e desta vez a sorte coube a Will Ferrell que na época até parecia ser um actor de jeito. Contudo a estrela do filme é Radha Mitchell (escolhida sem casting) que se desdobra em duas personagens, e ambas fabulosas. O filme está bem conseguido (bem melhor que os últimos trabalhos do realizador) e assinala a recuperação do génio como será comprovado no filme seguinte. Esta combinação de duas histórias menores num único trabalho obrigou a reciclar personagens, mas para um trabalho de escrita de apenas um mês saiu um filme genial. É Woody Allen e merece ser visto. Filmes Filmes 2004 Nuno Reis