Blood Diamond António Reis, 24 de Janeiro de 200722 de Outubro de 2025 Um diamante de sangue claro Nem sempre as boas intenções transpostas para cinema resultam em filmes interessantes. Diamante de Sangue é um desses filmes bem intencionados, politicamente correcto, que parte de uma realidade em que o continente africano é fértil. Como se diz no filme com cinismo: “sempre que se descobrem riquezas num país de África, a sua população morre”. Os diamantes da Serra Leoa foram a causa directa de uma sangrenta e prolongada guerra civil. O que poderia ser fonte de riqueza e bem estar, transformou-se na principal fonte de financiamento de políticos corruptos, de facções armadas a quem nunca faltou o dinheiro para investir em novos equipamentos. Quando no Ocidente começou a ser demasiado óbvio o preço que os diamantes estavam a custar ao povo, iniciou-se a campanha que conduziu à intervenção estrangeira que terminou com a guerra civil. E agora os diamantes já não são de “sangue”. O filme de Zwick relata esse período turbulento. Com um Leonardo diCaprio a corporizar de forma verosímil a figura de um mercenário a soldo de uma companhia sul-africana (que obviamente se refere à multinacional deBeers) que trafica diamantes para a Libéria onde graças à corrupção se tornam diamantes legais. Jennifer Connelly é uma jornalista à procura de provas para a sua história e Djimon Hounsou (“Amistad”, “In America”, “The Island”) é o epicentro em que gira toda a história narrada em flashback. Zwick constrói um filme testemunho com cenas de um realsimo atroz, emoldura-o em cenários naturais de irresistível encanto, recheia-o com espectaculares sequências de acção e guerra, sem esquecer uma insipiente história de amor entre mercenário sem escrúpulos e jornalista cheia de moral e o drama humano da família de Salomon Vandy. O espectador fica preso à narrativa durante os 143 minutos que se esgotam sem se dar por isso e as boas consciências podem dormir descansadas porque tudo está bem quando acaba bem. Os bons são recompensados, os maus castigados e os menos maus redimem-se pelos seus actos. Um grande filme com enormes possibilidades de box-office ou não fossem os actores o chamariz que são, mas mesmo assim demasiado convencional para se atrever a ser uma obra-prima. Filmes Filmes 2006 António Reis