My Best Friend’s Girl (2008) Nuno Reis, 16 de Agosto de 202525 de Outubro de 2025 “My Best Friend’s Girl” é uma comédia romântica como muitas outras na sua era. Chega poucos anos depois de “Hitch” em que um consultor ajudava os homens a conseguirem as mulheres dos seus sonhos. Aqui Tank tem um negócio muito semelhante. Ele ajuda os homens a recuperarem as mulheres que perderam. O sistema é infalível: ele cruza-se acidentalmente com elas, convence-as que é um bom partido e marca um encontro. Depois garante que elas passem os piores momentos da sua vida e voltam a correr para os braços do homem anterior que “afinal não era asssim tão mau”. E tudo corre bem até que Dustin, seu companheiro de casa e quase irmão, lhe contrata os serviços. A premissa inicial é a parte mais forte do filme. A ideia de alguém se especializar em ser um imbecil para salvar relações, é original e tem imenso potencial para comédia. E na execução acrescenta um olhar satírico sobre as dinâmicas de encontros que supera as expectativas. No entanto, o filme rapidamente se afasta deste conceito para se focar no previsível triângulo amoroso. A partir do momento em que Tank se apaixona por Alexis, é só fórmulas repetidas, com os habituais enganos que conduzem ao confronto e a inevitável cena de redenção. O elenco era esmerado. O papel principal é de Dane Cook, então um nome eficaz para atrair as multidões. O alvo é Kate Hudson, que também tinha a sua dose de filmes com compicados esquemas (How to Lose a Guy in 10 Days). O seu amigo era o então icónico Jason Biggs. E em papéis secundários temos um já estabelecido Alec Baldwin, Lizzy Caplan que tinha estrelado meses antes em “Cloverfield” e Riki Lindhome a um ano do seu primeiro papel icónico. Apesar do elenco promissor e de algumas ideias interessantes, não consegue fazer mais do que os clichés do género. É uma comédia de costumes que tenta usar humor negro e a surpresa ocasional, mas acaba por se perder numa trama previsível. Kate Hudson tem uma presença radiante, e a sua personagem que não parecia ir além do interesse amoroso em disputa, tal como todos os alvos anteriores não tem identidade própria. A química entre Hudson e Cook é definida com um grande primeiro encontro, mas depois não há nada. Os espectadores, tal como Dustin, são mantidos de fora da relação. E até ao casamento no final (nao é spoiler, é de outras personagens) acaba por não ter impacto. Nesse momento, em que se revelam todos os misóginos segredos, recupera algum do encanto, mas ainda longe de recuperar o dano já causado. É um filme pelo qual se pode ter algum carinho, mas não fica em memória. Filmes Filmes 2008 namoroNuno Reissegredo