Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans António Reis, 17 de Maio de 201019 de Janeiro de 2026 Consta que Abel Ferrara ficou à beira de um ataque de nervos quando soube da remake do seu “Bad Lieutenant“. E que não ficou nada satisfeito com o resultado final. Não admira porque fazer uma remake onde apenas se repete o original sem qualquer laivo de criatividade parece ser uma mera perda de tempo e de dinheiro. Mais surpreeendente ainda é como o Werner Herzog, um realizador que se afirmou por obras marcantes e visionárias, embarca num projecto tão vulgar. A ideia original deste “Polícia Sem Lei” tinha a força corrosiva de um Ferrara que não poupava as instituições e que apostava em personagens moralmente dilacerados. A ascensão social de um polícia corrupto, visto numa perspectiva nada moralista nem mesmo maniqueísta, acabava por tornar o personagem numa figura humana. Este remodelado polícia corrupto , perverso e sem valores, dá uma imagem de uma sociedade à deriva. Nicolas Cage insiste em refazer personagens sem lhes acrescentar dimensão (veja-se o caso de “The Wicker Man“) arrastando-se ao longo do filme com um ar entediado e sobranceiro, como quem está a fazer um frete ao espectador. Comparar o seu desempenho com o de Harvey Keitel é criminoso. Eva Mendes cumpre com a eficácia visual que se lhe reconhece a personagem mais frequente da sua carreira – o de prostituta protegida. Werner Herzog, um dos grandes nomes do novo cinema alemão, com uma carreria com filmes tão fundamentais como “Aguirre, o Aventureiro“, “Fitzgarraldo ou de um memorável “Nosferatu: Phantom der Nacht”, envereda por uma carreira tão americanizada que lhe destrói a essência da originalidade. Talvez seja da idade, ou do cheque que lhe pagaram, mas “Bad Lieutenant é um bad film. Como na gastronomia, a comida requentada nunca é de grande qualidade. Filmes Filmes 2009 António ReisPolíciaSitges 2009