It’s Complicated António Reis, 21 de Maio de 201019 de Janeiro de 2026 Os períodos mortos das temporadas cinematográficas são a altura ideal para comédias românticas. Entretêm os espectadores, mas na prática são fast cinema de consumo imediato e de esquecimento ainda mais rápido. “Amar… É Complicado!” é um exemplo típico de um filme o mais convencional possível dentro do género que se limita a pegar num trio de actores de agrado fácil junto de todos os públicos (tanto masculino como feminino) e de repetir todos os clichés que definem o estilo. Pegar num casal de divorciados, introduzir-lhe um outro vértice para o triângulo amoroso, adicionar filhos crescidos em cerimónia de conclusão de curso, acrescentar alguma dose de alcool e de pastelaria fina para servir tudo sob o lema que agradará até aos mais puritanos de que é possível salvar o casamento, mesmo após o divórcio. Ainda que possa parecer provocador é um daqueles filmes que leva as mulheres com facilidade à lágrima, mas que tem o condão de irritar os espectadores do sexo oposto. Como já não há grandes histórias de amor, capazes de empolgar e fazer sonhar aos audiências, nada melhor do que uma comédia de reencontro. Casar uma primeira vez pode ser um erro, mas repetir o casamento com a mesma mulher só mesmo por desvario. Liz Taylor e Melanie Griffith já o fizeram na vida real e os resultados são os que se conhecem. Inverosímil nas situações, forçado nos gags, previsível nos desenlaces, e preguiçoso no guião não é amar que é complicado. Complicado é segurar o espectador durante 120 minutos entediantes. Meryl Streep pode ter recebido um chorudo cheque pelo seu desempenho onde retoma o tom de “” e da conturbada vida amorosa, mas está longe dos papéis em que se lhe reconhece talento. Steve Martin está demasiado sério e circunspecto no seu papel de arquitecto, parecendo pouco à vontade num registo de maturidade que não é o seu. Alec Baldwin é o canastrão do costume. Poderia parecer que tudo está bem quando acaba bem, mas o cinema para ser arte tem de ter algo mais do que entreter o público. Filmes Filmes 2009 António ReiscasamentoDivórcio