Les Derniers Jours du Monde António Reis, 4 de Julho de 201019 de Janeiro de 2026 Irmãos Larrieu homenageados em Vila do Conde Na prestigiada cerimónia de entrega do Méliès d’Or de 2009 – prémio europeu da Federação Internacional da Festivais de Cinema Fantástico para o melhor filme de género galardoado com os Méliès d’Argent nos diferentes festivais – o filme seleccionado para a gala foi “Les Derniers Jours du Monde“. Este mesmo filme é hoje exibido em Vila do Conde inserido na homenagem que o festival faz aos irmãos Larrieu. Reconheço que o visionamento no festival de Sitges não deixou de causar me surpresa pela síntese de géneros que apresentava, meneando sinuosamente entre o drama romântico e a desagregação dos afectos muito próxima do cinema francês com a temática catastrofista de um fim do mundo de mensagem ecologista. Mais estranho para nós, portugueses, era a música inicial tocada por uma fanfarra, nada menos do que “Vinho Verde que é do meu Portugal”. Será curioso podermos perguntar aos realizadores a razão desta escolha. A construção da narrativa de “Les Derniers Jours du Monde” tem essencialmente cinco pontos fortes: uma estruturação da cronologia a dois tempos, um aproveitamento curioso da invulgar etnografia basca e das suas festas, uma tentativa de renovação de um fantástico pós-moderno, um ambiente cromático no limiar do fantástico realçado pela excelente fotografia e, em último lugar, a presença de Amalric como actor. Não por acaso a escolha de Vila do Conde acompanha a tendência do último festival de Cannes onde Amalric – realizador – foi premiado pelo seu “On Tour“. Numa sociedade em vias de destruição, o microcosmos familiar é um dos primeiros a perceber esses sintomas do caos e “Les Derniers Jours du Monde” funciona duplamente bem nestes dois registos: no registo do fantástico tout court e no da metáfora. Marca pontos assim junto de públicos muito diferentes e espera-se que Vila do Conde seja apenas o início da sua merecida estreia comercial. Uma boa razão para ir ao festival. Filmes Filmes 2009 AmbienteAntónio ReisApocalipseCurtas 2010Sitges 2009viagem em família