Burke and Hare Nuno Reis, 28 de Agosto de 201122 de Outubro de 2025 É verdade que Londres tremeu de medo por causa de Jack the Ripper, o mais famoso serial killer de sempre, mas na vizinha Edimburgo, sessenta anos antes, havia muitas mais mortes misteriosas. Esses desaparecimentos inexplicáveis demoraram um ano a serem atribuídos à dupla Burke e Hare. Foram precisos quase dois séculos para terem reconhecimento em forma de comédia. Estes dois amigos estão a ressentir-se com a falta de emprego. É a crise… Quanto morre um dos inquilinos de Hare ficam muito preocupados. Era a última fonte de rendimento. Tentam desfazer-se do cadáver para não pagarem o funeral, mas ouvem dizer que podem ser pagos se o levarem ao Dr. Knox. Edimburgo é o pólo mais avançado da medicina e agora que há um prémio para a maior descoberta Knox quer fazer algo ginantesco: um mapa anatómico. Para isso precisa de muitos corpos e a dupla não se importa de recolher mortos frescos. Talvez acelerar a morte de alguns. Talvez provocar a outros…. Tornar uma história de crime e ganância numa comédia não é fácil. Especialmente depois do falhanço de “I Sell The Dead” há apenas dois anos com um temática tão semelhante. Para isso foi reunido um elenco de luxo. Simon Pegg é Burke, Andy Serkis é Hare, Tom Wilkinson é Dr. Know, Jessica Hynes é a senhora Hare e Isla Fisher é a candidata a actriz Ginny. Além destes passam por aqui outros estrelas como Christopher Lee e Tim Curry. Na realização está um americano, mas este senhor de nome John Landis dispensa apresentações entre os fãs do fantástico e não é por isso que o filme fica menos inglês. “Burke and Hare” está carregado do típico humor britânico. As mortes serão talvez demasiadas, mas são variadas e não cansam. Há ainda o factor Ginny. Não só Fisher faz o único género de personagem em que não é miserável, como é a responsável pelo melhor humor do filme pois quando Burke começa a investir a sua recente fortuna numa produção teatral e num romance, desvia o tema da morte por momentos. Numa década em que o terror começa a ser todo parecido, é salutar viajar no tempo e ver um pouco de humor mórbido do século XIX. Não é um filme para recordar, mas com assassinatos, profanação de cadáveres e adaptações de Shakespeare, será uma das sessões mais divertidas do festival. Filmes Filmes 2010 MOTELx 2011Nuno ReisSitges 2011