Sound of Noise Nuno Reis, 10 de Julho de 20118 de Novembro de 2025 Depois da curta “Music for One Apartment and Six Drummers” Ola Simonsson e Johannes Nilsson fizeram uma longa com o mesmo tema. Desta vez os seis percussionistas não estão confinados num apartamento, a cidade é o seu instrumento. Amadeus não é músico. Aliás, é o mais duro de ouvido que alguém poderia ser. O mais estranho é ele fazer parte da família Warnebring onde todos são extremamente dotados para a música. Amadeus é polícia e para seu descontentamento e´colocado responsável pela investigação a estranhos golpes terroristas que geram música a partir de objectos do dia a dia. Primeiro invadem um hospital para tocar ‘doctor doctor give me gas (in my ass)’. A essa ofensa à integridade sucede-se o assalto a um banco para tocarem ‘Money 4 U Honey’. A policia fica em alerta máximo, mas também não é dessa que conseguem deter o bando. A trama policial ganha um toque fantástico quando Amadeus deixa de ouvir aquilo em que eles tocam, provando que eles fazem música e ele não tem ouvido para isso. Amadeus recolhe as invulgares pistas e pede ajuda ao irmão, um conceituado maestro. Vai ter de aprender música se os quiser vencer antes do quarto e último acto. Para dar uma ideia do que tem o filme de especial é preferível conhecerem a curta. O que este sexteto faz é provar que a diferença entre música e ruído é o ritmo. Nâo é preciso gostar de música para apreciar o filme. Para quem dispensa a música há sempre a trama policial. Mas quem tiver ouvido de certeza encontrará sonoridades muito interessantes nestes objectos do dia-a-dia. Logo desde início é dada uma imagem muito íntima dos “criminosos”, pessoas marginalizadas no mundo musical pela sua excessiva criatividade. Ao longo do filme vão ganhando uma identidade que na curta não precisavam, mas sempre com um mínimo de loucura e criadores de caos para que sejam encarados pelo espectador como estando errados e tendo de ser detidos. Mas quanto mais tarde melhor. O filme tem apenas 80 minutos (inclui uns 10 minutos desnecessários em que “perde o ritmo”), mas a sonoridade transmitida é viciante. É um título descontraído com três momentos musicais brilhantes. Altamente recomendável independentemente da formação musical. Filmes Filmes 2010 Cannes 2010Curtas VC 2011MúsicaNuno Reisplano inteligente
Posso tentar descobrir se alguém tem os direitos para Portugal, mas não estou com muitas esperanças. O filme já tem mais de um ano… Responder