The Social Network por Nuno Reis Nuno Reis, 14 de Novembro de 201013 de Janeiro de 2026 O fenómeno dos últimos cinco anos e dos próximos três chama-se Facebook. E por isso mesmo o fenómeno nas salas chama-se Social Network. Com 500 milhões de utilizadores registados, considerando que metade deles são pessoas reais e minimamente activas no site temos algo com tanta gente como os Estados Unidos. O seu presidente não é eleito após um demorado e complicado processo eleitoral acompanhado por todo o mundo, ele é Mark Zuckerberg apenas porque foi ele quem teve a ideia. Nos anos 80 a Internet era uma curiosidade científica. Nos 90 era uma curiosidade académica com fins educacionais e surgiu o Boom das .com. Em 2003 as .com originais tinham tido um de três destinos: vendidas, falidas, tomado uma posição dominante que as colocava ao nível das maiores indústrias mundiais sem necessidade de fazer nada novo (excepção para a Google que devido à sua política laboral está sempre a gerar novas ideias).A Internet já não era uma novidade apenas para os tecnologicamente preparados, estava a abrir-se ao mundo e diversos hackers (no sentido original da palavra) sobressaiam nesse admirável mundo novo. Em 2003 surgiu uma onda de blogs por onde as pessoas comunicavam, como o Antestreia, mas para Zuckerberg isso não bastava. Ele criava sites alojados nos servidores de Harvard e tinha sempre relativo sucesso. Até que descobre “the next big thing” e após dois meses tinha a correr um site chamado TheFacebook. Esta é a história de como à custa disso fez fãs, sócios e dólares, e perdeu o único amigo. Antes de opiniar sobre o filme, quem sou eu? Entre muitas coisas sou um informático. Mas não sou da geração “The Social Network“, sou da anterior, da que se regia pelos valores do filme “AntiTrust“. Quando o bom da fita derrubava as corporações malignas apenas em nome da Humanidade e desenvolvendo open source sem pensar no lucro. Zuckerberg é diferente. Ele tudo o que fez foi a pensar na fama, e foi manipulado por outros para ganhar dinheiro com isso. É uma geração de Tony Montanas que pensa em dinheiro, para com isso conseguir poder e consequentemente mulheres. Não há mal nenhum nisso, mas onde está o amor pelo trabalho? Este filme não é sobre a ciência dos computadores, mas sobre a arte do marketing. E é o que a nova geração de empreendedores precisa. Tal como Sean Parker (o autor do Napster) aconselha Zuckerberg para criar algo gigantesco e intocável, também o autor do Facebook através deste filme lança uns alertas/conselhos. Não comecem algo que não podem levar até ao fim. O que parece uma brincadeira com 4000 pessoas pode-se tornar um negócio de milhares de milhões e uma peça fundamental da economia global. Não basta serem bons tecnólogos porque o importante é o que vem depois, mas basta terem uma grande ideia e formar uma equipa que faça o trabalho por vocês. A velha máxima diz que “trabalho é trabalho, cognac é cognac”. Devemos, temos!, de saber distinguir sócios de amigos, porque se correr mal a sociedade resolve-se em tribunal, mas a amizade é algo que nenuma lei pode salvar. Para os menos empreendedores deixa um recado mais útil do que qualquer dica financeira. Com o Facebook podem estar em contacto com centenas ou milhares de conhecidos. Isso é óptimo, mas porque não pegar no telefone e fazer algo menos virtual? Como cinema fica muito aquém do que seria de esperar. O factor chocante residia no comportamento humano e nesta era em que os valores financeiros se sobrepõem aos valores morais isso não surpreende. Vindo de Fincher esperava algo fenomenal, mas faltou-lhe a substância. Excepto os primeiros vinte minutos em que combina magistralmente os diversos mundos que coabitam no universo académico, tudo o resto é exactamente o que se poderia esperar de um biopic sobre uma pessoa que aos 25 já tinha atingido o topo da carreira. Ficará para a história como uma curiosidade sobre uma etapa fundamental do nosso progresso. Filmes Filmes 2010 BiografiaHistória VerídicaInternetNuno Reis
Não gostei assim tanto do filme, aliás, fiquei ligeiramente desiludido. No entanto, gostei muito desta vossa análise, sobre os temas que o mesmo explora, e não contesto. De resto, concordo perfeitamente com o facto de o filme não ser sobre técnica de computadores mas sim sobre marketing e gestão. Responder