Rio Nuno Reis, 8 de Dezembro de 20116 de Setembro de 2025 Depois de ter conquistado o mundo pelo frio, Carlos Saldanha leva-nos para o calor tropical do seu Brasil sem medo de mostrar crime e pobreza, mas apostando na beleza da natureza, do clima e da gente. Um arara azul, o último da sua espécie, e a sua dona, são levados do frio Minnesota para uma clínica ornitológica no Rio de Janeiro onde se encontra a última fêmea. Chegam em pleno Carnaval e mal têm tempo de se adaptarem ao fuso horário antes de mergulhar no verdadeiro Brasil, pois o casal de araras é roubado na primeira noite. Combinando esforços, Blu e Jewel conseguem escapar, mas Blu é citadino e não voa, enquanto Jewel é selvagem e precisa de liberdade. Acorrentados, terão de se adaptar para sobreviver na selva, escapar aos bandidos e reencontrar a dona de Blu. Aqueles minutos iniciais partilhados online correspondiam exactamente ao se esperava do filme: floresta, calor, aves, cor, música e alegria. Pois é, mas depressa cai na receita do postal para turista e resume o Rio a uma sequência de (ler com sotaque carioca) Ipanema, Pão-de-Açúcar, Cristo-Redentor, vôos de asa-delta, praia, bunda, futebol, samba e muito Carnaval. É preciso esperar pelos minutos finais para ter alguma acção carnavalesca que encerra uma pequena desilusão. Desilusão porque tudo o que se vê grita Brasil, mas não fala português. As músicas americanas e as vozes americanas nas músicas brasileiras arruinam aquele que poderia ser o filme infantil definitivo sobre o Brasil. Por tudo isso culpo a produção pois tinha o que era preciso para dar certo. O argumento tem personagens felizes, o romance preenche a atmosfera, ocasionalmente vão aparecendo alguns detalhes maravilhosos e enquanto os macacos recuperam um dos pontos fortes de “Madagascar”, os humanos fazem lembrar os da Pixar. Simplesmente não combinam na artificialidade da língua. Os mais pequenos, público-alvo do filme, não reconhecerão as referências a “The Wizard of Oz”, “Die Hard” ou “Fargo”, mas para os pais arrastados com eles sempre é um factor de distracção para que “Rio” pareça melhor do que é. Filmes Filmes 2011 Nuno Reis