The Sitter (2011) Nuno Reis, 3 de Agosto de 202528 de Outubro de 2025 Faltou referir não um remake, mas uma adaptação demasiado parecida do “Adventures in Babysitting”. Numa época em que as comédias adolescentes proliferavam e Jonah Hill ainda não se tinha metido a fazer coisas sérias a tempo inteiro, tivemos um muito discreto “The Sitter”. O título português ficou “A Desbunda” – o que esconde a influência mais óbvia – mas em termos de situação e de cenas chave, só lhe falta o número musical para ser igual. E envolve uma quantidade pouco saudável de drogas, armas e sexo, pelo que o público-alvo não vai ser maiores de 12. Noah é um jovem com poucas ambições na vida. Nunca manteve um emprego por mais de uns dias. Quando a mãe divorciada vai finalmente sair para se divertir, um telefonema arrisca estragar os planos: os vizinhos ficaram sem babysitter! Noah, contrariado, aceita o cargo pensando que vai ser pago para ficar sentado no sofá por umas horas e impedir que peguem fogo à casa. Na verdade os três pequenos não são de trato fácil, pelo que Noah os leva numa pequena viagem pela cidade, em busca de drogas e da sua quase namorada para sexo rápido. “The Sitter” é um filme como tantos que se fizeram na época. Só que, por ter pegado numa estrutura que sabia funcionar, ficou limitado. Jonah Hill dá um cunho pessoal ao filme, Sam Rockwell como dealer vai além do que devia (como estamos acostumados a ver). Tem várias personagens secundárias algo despropositadas, mas que reaparecem pelo que não é tão mal pensado como parecia à primeira vista. E as crianças muito estereotipadas dão alguma graça, mas sem o nível do filme original. Em alguns pontos foge ao material base com ideias originais. A perspectiva de um babysitter masculino sem competências para o cargo é boa. A ideia de fazer uma pequena viagem com as crianças era inevitável. O que acontece a seguir tem diferentes profundidades. A questão de integração de crianças adoptadas podia ter sido um bom tema. A questão do diálogo com os filhos sobre quem são, em vez de medicar para tudo, continua importante aos dias de hoje. O reencontro com o pai ausente e falar sobre responsabilidades é bom. O problema é que acabam por ser detalhes numa viagem que já conhecemos. Quando tenta ser novo é fresco o suficiente para cativar a atenção. Esse jogo é o que faz pensar que escrever um filme totalmente original, sem restrições, podia ter sido bem melhor do que tentar colar-se a um filme que já poucos se lembrariam. Adolescentes em 2011 teriam alguma vez visto um filme dos anos 80? E quem viu o original estaria com pressa para ver uma comédia parva para adolescentes? É preciso ter noção das vantagens e desvantagens de fazer adaptações, sátira, remakes e demais produtos derivados. Se vai melhorar a história, tornar mais actual e relevante, ou apenas remover detalhes que envelheceram mal, vamos a isso! Se vai fazer dinheiro, não há como impedir. Se é apenas uma homenagem porque alguém gostava do filme e quis fazer parecido sem acrescentar nada… não foi uma boa ideia. Filmes Filmes 2011 adolescentesbabysittingIrmãosNuno Reisplano falhadorremakeviagem em família