Bullet to the Head (2012) Nuno Reis, 3 de Setembro de 202525 de Outubro de 2025 Walter Hill tem um legado no cinema, especialmente construído nos anos 80. Tornou-se um mestre em policiais com bastante violência e um pouco de humor. Uma das últimas obras que nos trouxe é exemplo de tudo isso. O título “Bullet to the Head” não engana. Vai ser tão cru como nos acostumou. Ainda que eu não seja grande admirador do género, sei reconhecer quando um filme é bem feito. Normalmente abusam da parte visual e do choque, esquecendo que precisa de um argumento e de alguma atenção em algo que não os efeitos. Este filme tem Stallone como protagonista, portanto o preconceito não é muito lisonjeador. Mas é a adaptação de uma obra anterior (novela gráfica francesa “Du plomb dans la tête“), portanto alguma preparação teve. A história acompanha o assassino contratado Bonomo (Stallone) que, com o seu parceiro, é destacado para se livrar de uma pessoa incómoda. O que seria uma missão habitual tem só uma pequena diferença. Messe mesmo dia alguém os tenta eliminar, pelo que sabe que é uma ponta solta para alguém. Terá de descobrir que o quer morto, enquanto evita que isso aconteça. Ao mesmo tempo, o detective Kwon (Sung Kang) quer saber porque lhe mataram o parceiro. Assassino e agente da lei vão unir forças para desmascarar uma grande operação onde não podem confiar em ninguém além do seu inimigo natural. Olhando para o filme, mesmo sem o distanciamento de uma década, o elenco é de algum nível. Kang então já estava sólido na equipa de Fast and Furious. Momoa já tinha feito Stargate, Game of Thrones e Conan. Adewale Akinnuoye-Agbaje já tinha feito vários dos seus papéis mais icónicos, mas ainda com alguns filmes importantes pela frente. Sarah Shahi estava então a dar o grande de “conheço esta cara da televisão” para actriz de personagem. E ainda Christian Slater. Uma oportunidade de trabalhar com Hill foi suficiente para os convencer. Claro que isso não significa que tenha sido um bom trabalho. Stallone e Akinnuoye-Agbaje ainda conseguem ter os seus momentos. Shahi tem algum conteúdo, mas é uma personagem quase irrelevante. Momoa deve-se ter divertido, mas também não contribui muito para o currículo. De Slater, ainda não vi nada em que estivesse bem. É um filme que, como suspeitava, se foca na acção. Bonomo é uma personagem com camadas e admito que tentaram fazer isso a mais alguns. O vilão até tem um plano convincente – o truque foi não complicarem – e a violência é na dose certa. Menos alguns tiros na cabeça não fariam mal, mas tinha de ser fiel ao título. Vê-se bem na televisão. Mesmo ligando a meio, fica-se pelos rostos familiares que vemos e não se perde muito contexto. Filmes Filmes 2012 Nuno ReisParcerias improváveisRemakeVingança