Fin (2012) Nuno Reis, 25 de Agosto de 202525 de Outubro de 2025 O fim chega quando menos se espera. Exsitem filmes que são óbvios quanto ao género. Se calhar não chegamos lá pelo título, mas um poster ou assim bastam para esclarecer o que se vai passar. “Fin” quando saiu em Sitges parecia um peixe fora de água. Um drama sobre o passado num festival do género fantástico? Teria de ser uma vaga reservada para a produção nacional. Incluía alguns nomes habituais das produçóes fantásticas, mas nada fazia antever que fosse de género. Como estava enganado. Era um novo subgénero que então despontava no país vizinho. Onde o fántástico não grita nas nossas caras, mas se infiltra de forma discreta na rotina do dia-a-dia. No ano seguinte depois tivemos “Al Final Todos Mueren” que num par de segmentos repetiu a receita. E de vez em quando vai saindo um filme com esta metodologia. Tudo começa com um grupo de amigos de antigamente que decidem reencontrar-se. Marcam na casa de um deles, onde já fizeram férias de boa memória. Só que os anos passaram e os casais já não são os mesmos. Uns casaram, outros até já divorciaram, e outros continuam solteiros. Félix, para não ir sozinho, contratou uma acompanhante profissional que inventa toda uma história de quem é e como se conheceram. Ao início tudo corre bem. Entre as memórias agradáveis, as embaraçosas, e a passagem breve por alguns temas tabu, acabam por passar um serão agradável. Mas nessa noite algo de extraordinário acontece. Talvez um meteoro ou uma bomba. O resultado é que, um a um, vão desaparecendo. O fantástico tem muitas caras e normalmente diz-se que o terror é o género mais lucrativo por ser barato para filmar e ter muito retorno. No entanto, há sempre alguns custos quando se precisa de elementos visuais para prender ou arrepiar o espectador. Em “Fin” é muito mais subtil. Sim, algumas cenas terão tido custos, mas a forma como o filme foi escrito e concebido permite fazer um terror mais psicológico. Também em parte é visceral, mas o cuidado com que cimenta relações e cria uma camada de segredos entre eles que, nem o espectador, nem mesmo alguns elementos do grupo sabem toda a história, faz com que cada diálogo tenha significado. Cada grito tem um impacto profundo. Grande trabalho dos actores. Há um par de personagens desnecessárias, mas tinham de fazer número para ir removendo da equação. Não diria que cada desaparecimento tem o mesmo efeito, mas alguns têm efeito. E em especial a incógnita de ter sido uma partida de um deles, uma vingança do ausente Ángel, ou algo sobrenatural causado pelo fenómeno não identificado, faz com que a intensidade e o mistério se prolonguem. O final tinha boas intenções e as perguntas filosóficas que nos colocam eram necesssárias, mas sabe a pouco. Podia ser muito mais. Filmes Filmes 2012 amigosMundo pós-apocalipticoNuno ReisreencontroSitges 2012