Sadako 3D Nuno Reis, 2 de Julho de 20124 de Dezembro de 2025 “Vais morrer em sete dias”. A frase ainda faz arrepiar, mas aquele detalhe de depender de uma VHS fazia com que a maldição de Sadako começasse a perder fulgor nesta era digital. E mesmo os sete dias parecem uma espera demasiado longa para quem está acostumado a ter tudo no imediato com a internet. Pois também a saga “Ringu” decidiu actualizar-se. Sadako agora entrega a morte online e assim que o video é visto. Tudo em 3D como não podia deixar de ser. Kashiwada era um conceituado artista até ao dia em que se matou. O video do suicídio apareceu online e o seu visionamento faz com que o espectador retire a própria vida. O passa-palavra acelera a divulgação da notícia por entre os incrédulos, mas o link não funciona. É como se o video escolhesse quem o pode ver e quando. Até que uma jovem e alegre rapariga se suicida deixando a turma transtornada. A professora Akane num esforço de apoiar os seus alunos acaba por se deparar com o video e sobrevive a uma tentativa de assassinato por parte de Sadako. Vai começar um mortal confronto entre ambas que só terá fim quando uma morrer. Os japoneses têm um dom de filmar o paranormal como parte do dia-a-dia. Aqui que tinham uma oportunidade para fazerem algo de terror puro deixaram-se levar pelo hábito e tentaram dar um toque de intriga a uma história que não precisava disso (um indivíduo que não sabe a história de Sadako a dizer que a proximidade aos computadores deve ser evitada é algo desnecessário). No entanto, quando nos apresentam uma Sadako em ponto gigante… para quê? Usando a palavra que a FilmPuff considerou central nesta saga, por muito tempo a atmosfera tem semelhanças com o que se esperava. Por causa do 3D tem mais cenários luminosos do que o habitual, contudo consegue recriar muitas das sensações que se sentiu no primeiro. Claro que passaram quase quinze anos desde que Sadako começou a assustar. Graças a ela desde então o terror japonês começou a ser conhecido/copiado por todo o mundo. Não sendo radicalmente diferente, tem de ter mais substância para ser perturbador. O único pedaço da narrativa digno desse adjectivo é o que se refere a Kashiwada, um indivíduo misterioso, reservado e seguramente louco. O resto parece uma versão ligeira e cómica do excelente “Jisatsu Sâkuru” onde também os suicídios inesperados e a investigação policial sem respostas para o fantástico faziam uma pessoa exasperar. No desfecho há uns minutos de terror mais convencional para suster a respiração e apreciar o 3D, mas isso não basta para tornar o filme memorável. Talvez no Japão, onde vai ser relançado a 4D – numa sala que prende as pessoas aos lugares e com várias Sadakos a sairem de um poço – consiga causar arrepios e lutar por novos recordes de bilheteira. Todavia, fora da Ásia onde tem distribuição assegurada, será mais um capítulo a passar ignorado. Filmes Filmes 2012 Neuchatel 2012Nuno ReisPossessãoRingusequelaSuicídio