Bad Milo! Nuno Reis, 13 de Setembro de 20145 de Dezembro de 2025 Ao mesmo tempo que temos o conhecimento, a tecnologia e a mão-de-obra para todos viverem melhor, estamos a arruinar a saúde de muitos para enriquecer poucos. Quem ganha com isso é a indústria da saúde que vende a cura para novos problemas. A sociedade moderna está cheia de problemas de saúde causados pelo simples stress e remédios feitos pelo homem. As preocupações tiram-lhe o sono? Há umas pastilhas para isso. Queda de cabelo? Esta pomada faz milagres. Tem a digestão desregulada? Coma estes bífidos. Nâo funcionou? Vamos ver o que tem no cólon. Isto é uma novidade… Para não usar a versão portuguesa da mesma, conhecem aquela bela expressão americana “shove it up your ass”? Pois em “Bad Milo!” temos o oposto. Duncan tem um problema. Ou melhor, tem um problema que é a solução para os seus outros problemas. Ele sempre achou que tinha problemas digestivos agravados pelo stress. A verdade é que no seu intestino vive uma criatura que resolve o stress atacando na origem: mata o causador do stress. Com o aumento do stress causado pela mãe, pelo trabalho e pelos assuntos não resolvidos com o pai desaparecido, Milo – é o nome da sua “mascote” – vai começar a sair para resolver os problemas por Duncan. E como sai essa coisa do organismo? Adivinharam, pelo ânus. Agora que Duncan atingiu o ponto de saturação, sempre que o obrigam a engolir algo, aquilo vai acabar por sair pela outra ponta. E não vai ser bonito de assistir. O tema não é propriamente novo. Há sempre um Mr. Hide dentro de nós para resolver aquilo com que o nosso eu civilizado não consegue lidar. O detalhe de este monstro fazer viagens de dois sentidos pelo traseiro torna tudo um pouco mais ordinário e seria um tema a tratar com cuidado para não se tornar escatológico. Só que por entre o gore ligeiro de pessoas desfeitas à dentada e os sons daquela criatura perigosa como um Critter e com a voz doce de um Mogwai, nenhum fã do terror ficará insensível. Tudo isso melhora com o elenco de secundários de luxo onde se incluem Peter Stormare como o terapeuta e figuras da televisão como Patrick Warburton (“Rules of Engagement”, voz de Joe em “Family Guy”) como o chefe nefasto ou Kumail Nanjiani ( o traumatizado Pindar de “Franklin & Bash”) como o padrasto inconveniente. “Bad Milo!” não é uma obra-prima nem aspira a tal. É daqueles títulos que são agradavelmente recebidos num contexto de festival para desanuviar de filmes mais intensos. E se não fosse completamente contra os bons costumes, era daqueles que poderia passar na televisão todos os anos que seria visto com gosto nas primeiras três a cinco vezes. Dá para passar uns belos momentos de descontracção e se for visto em grupo ainda melhor. É um pouco puxado dizer que reinventou o género ou fazer piadas sobre ter redescoberto um nicho, mas pela sua originalidade merece alguma consideração. E recordando os restantes exemplos do que o cinema mais mainstream tentou fazer passar como comédia de terror, este é dos poucos que se aproveitam. A próxima vez que se sintam pressionados, lembrem-se do Milo e controlem esse ímpeto assassino. Ninguém gosta que soltem o que estão a guardar nessa zona. Para relaxar podem inclusivamente ver o filme novamente. Filmes Filmes 2013 adolescentesJekyll & HydeMonstroNuno ReisSaúde