Frozen Nuno Reis, 8 de Junho de 201415 de Novembro de 2025 Em tempos Disney era sinónimo de filmes de animação. A cada ano combinaria de forma exemplar história, desenho e música, para nos trazer uma pequena obra de arte. Depois de anos mais ou menos bons, parecia ter sido ultrapassada pela parceira (agora subsidiária) Pixar. Se excluirmos imagem real, sequelas, prequelas e Pixars, ou seja, pensando exclusivamente em animações originais Disney, depois de “Mulan” aguentaram vários anos sem fazer um único filme que merecesse exibir o selo Disney (façamos uma excepção em “Lilo & Stitch”). Os filmes podiam ser bons, mas não atingiam o patamar de excelência que os torna eternos. “The Princess and the Frog” veio mudar um pouco as coisas, mas ainda não era o tal. Nos anos mais recentes subitamente tudo mudou com uma tripla incrivelmente forte. “Tangled” era o regresso definitivo aos contos-de-fadas, “Winnie the Pooh” apesar de ser um tema recorrente da produtora foi um recuperar do prestígio para os clássicos, e “Wreck-it Ralph” foi uma entrada num novo mundo com muita nostalgia. Aliás, Ralph anunciava descaradamente o segredo que parecia irremediavelmente perdido: juntar pais e filhos em frente à televisão para assistir num ciclo sem fiiiiim (quem não percebeu não está no artigo certo) ao filme que os miúdos pediam e os graúdos não se importariam de ver novamente. “Frozen” não é um novo produto. Aliás, dizem que há setenta anos que a Disney andava atrás de uma desculpa para adaptar “A Rainha da Neve” do seu ignorante parceiro Hans Christian Andersen, mas não é disso que falo. É que, por muito que o veja (e ao contrário da maioria, a cada vez gosto mais), só me desperta as melhores recordações Disney. Comecemos por ser uma história sobre o verdadeiro amor como apenas a princesa de “Enchanted” referiu. Por procurarem desesperadamente um beijo como só Ariel e Tiana queriam. Por ter uma banda sonora vinda da Broadway que dá um início ritmado ao filme. Pelo duo cavalo/rena que recordam os melhores equídeos que já passaram pela casa, (ao princípio parecia Filipe do pai de Bela, mas depois é incrivelmente Pégaso). Pelo boneco de neve que é referência óbvia Pixar. E por ser um conto de fadas mágico. Mas não é só o reaproveitar de velhas ideias. “Frozen” terá talvez o melhor vilão: as circunstâncias. Parecem ter aprendido nas aquisições que um vilão credível, não é aquele que é puro mal, mas aquele que tem um lado humano e se torna um perigo para os outros. Anna obriga-se a um retiro, mas nunca deixa de amar a irmãzinha. Todo o sofrimento que causa é acidental. A perseguição que sofre, foi a mesma que Fera e Quasimodo sofreram, partindo de pura ignorância. E aquele vilão inesperado? Quem estava à espera? A Dreamworks já o tinha conseguido, mas na Disney eram sempre demasiado convencionais, com linhas claras entre o Bem e o Mal. Sobra aquele magnífico jogo de distribuição da narrativa pelas personagens, tornando Anna quase tão importante para a narrativa como Elsa e mostrando os dois pontos de vista. Quando foi isso feito num filme infantil? “Frozen” correu todos os riscos narrativos, ao mesmo tempo que desbravava arriscados terrenos visuais cobrindo o ecrã de esculturas de gelo com diferentes feitios, profundidades e cores. Sim, depois de três filmes seguidos, podemos dizer que a Disney está de volta. E é um alívio. Filmes Filmes 2013 FrozenIrmãosNeveNuno ReisViagem