No One Lives Nuno Reis, 23 de Outubro de 201212 de Agosto de 2025 Alguns filmes sabemos que vão ser maus logo do início. Estava com alguma expectativas para o filme de Ryûhei Kitamura, mas nem foram precisos 5 minutos para mudar de ideias. Começa mostrando logo 3 grupos de personagens. A primeira é uma cena clássica. Uma loura semi-despida a correr na floresta, a fugir de algo. Parece ter alguns dotes de sobrevivência, mas não é rival para o caçador. O segundo grupo é um homem a conduzir com uma jovem mulher ao lado. Ela não parece gostar da mudança que pelos vistos é culpa dele. A diferença de idades entre os géneros em Hollywood hoje em dia é tão grande, que não se percebe se ela é a namorada ou a filha. Felizmente faz uma piada pouco depois a dizer que gosta delas jovens. O terceiro grupo é o mais assustador: uma empresa de mudanças. Só que esvaziam as casas sem conhecimentos dos proprietários e não gostam de testemunhas. Quando o casal se cruza com o gangue, começa uma tortuosa série de eventos violentos em que apenas uma pessoa sabe como tudo vai acabar. Luke Evans já tinha alguma carreira antes de se meter nisto. É o protagonista, mas a sua personagem é demasiado plana para cativar. Derek Magyar que assume um papel de relevo como Flynn, também o potencial que teria não saiu do papel. A maioria das personagens femininas estão apenas para fins decorativos e nudez excessiva (há um banho que deve demorar 10 minutos), sendo Adelaide Clemens (a corredora do início) a única que acaba por se safar. Isso porque a personagem estava traumatizada e portanto não só a apatia está justificada, mas também explica que seja a única que sabe o que se passa entre tanta gente estúpida e capaz de tomar decisão errada atrás de decisão errada. Ao menos a sua personagem não é uma barata tonta a correr para bota. Apenas espera e vaticina o que os espera como arauto da desgraça. Que mais dizer do filme? A produção Pathé não disfarça a enorme influência da produtora WWE Studios que, como o nome indica, é focada na luta entretenimento da WWE. Em alguns thrillers isso até funciona, mas isto exigia mais. E nem sequer tivemos um bom espectáculo. Existem algumas zaragatas muito mal coreografadas e, mesmo nas lutas até à morte, parece que ninguém leu o guião a tempo de evitar problemas graves. Não apenas erros de continuidade, mas mesmo discursos sem fundamento e sequências sem nexo que um espectador (se aguentar acordado) perceberá estarem mal. Alguns arcos secundários até parecem interessantes, até se perceber que foram apenas um escape para corrigir a rota sem saída em que estava a ir. Diz-se que o slasher é um género fácil, mas aqui fica provado que não está ao alcance de todos. Tem sangue a rodos e um bom equilíbrio entre causas do mesmo – lâminas, balas e armadilhas – mas sem um fio condutor é um desperdício. Filmes Filmes 2013 Nuno ReisSitges 2012