3 Days to Kill Nuno Reis, 6 de Junho de 201413 de Novembro de 2025 Depois de a Europa Corp nos ter trazido Liam Neeson como herói de acção em Paris, não é de estranhar que tenham decidido fazer o mesmo com Kevin Costner. A empresa de Luc Besson apostou num realizador habitual do cinema de acção, McG. Juntou-lhe um dos sex symbols do momento, Amber Heard (num papel idêntico ao que teve em “Machete Kills”). Depois esperou que desse certo. A peça que destoava, acabou por ser a que deu certo, pois a filha, desta vez interpretada por uma verdadeira adolescente, coube a Hailee Steinfeld. Dá uma lição aos velhos e no seu pequeno papel é quem consegue a performance mais credível. A história acompanha um agente da CIA que descobre, no seguimento de uma missão, estar num estado terminal. Enquanto a entidade patronal dispensa os seus serviços e lhe retira o seguro de saúde, uma agente que reporta directamente ao director da Agência faz uma oferta irrecusável. Em troca de uma última missão consegue-lhe um tratamento experimental que devolverá a vida fugidia. O único problema é que Renner já tinha prometido à ex-mulher que passaria uns dias a redimir-se da ausência prolongada na vida da filha. Ao mesmo tempo que está presente para a filha, está à procura de um homem que ninguém conhece, a ser pressionado pela patroa e pela ex-mulher… E isso sem referir a peculiar legislação francesa que o expulsou de casa sem possibilidade de recurso. É uma comédia. Nem podia ser outra coisa. E essa aproximação ligeira ao tema é a grande vantagem do filme. Para tiros e perseguições já tinhamos demasiados títulos. Renner é um homem bom. Nota-se que a vida o levou a fazer coisas que não queria e agora, que está no controlo do seu destino, quer fazer tudo à sua maneira. Mas além de ser um homem sem nada a perder, é um pai dedicado que se esforça em dar à filha o amor, os bens materiais, e os conselhos que nunca teve oportunidade de dar. Por vezes tem de viver ambas as vidas em simultâneo, interrompendo um interrogatório para dizer coisas simpáticas ao telefone. Nada credível, mas muito divertido. E assim decorre todo o filme, alternando os perfis, as situações, sendo um competente entretenimento e tendo sucesso onde vários outros fracassaram. No final do filme os exageros são perdoados. A única mágoa que fica pelo dinheiro dado, é que talvez algumas das mensagens transmitidas sobre paternalidade se possam perder. É que o público jovem que vai assistir está mais interessado nos tiros e nas pernas da Vivi, do que nas dores de cabeça do pai que comprou a bicicleta errada. Filmes Filmes 2014 adolescentesespiões reformadosfamíliaNuno Reis