Almost Human (2013) Nuno Reis, 14 de Setembro de 20145 de Dezembro de 2025 Há uma coisa que incomoda em “Almost Human” logo à partida. Vejamos a sinopse que é algo deste género: Quando Seth chega a casa de Mark, está em pânico e não tem Bob consigo. Mark não o consegue acalmar. O pouco que percebe é que um som estridente e uma luz azul os perseguiram e levaram o amigo. Quando essa mesma luz lhe entra pela janela, pega na arma e vai lá para fora disposto a enfrentar a ameaça, mas é prontamente levado, deixando a histérica noiva e o delirante Seth com muitas explicações para dar às autoridades. Anos depois, Seth pressente que algo semelhante se está a passar e tenta entrar em contacto com Jen para se precaverem, e ao mesmo tempo para tentarem perceber o que se passou com Mark. O próprio Mark poderia explicar, se não estivesse possuído por um ímpeto assassino. Ora se Mark voltou, porque não voltou também Bob? Pois, parece que de acordo com o espírito dos anos 80, é melhor ter um único oponente à solta do que dois. Em especial se for um amigo que sintam dificuldade em matar. Isso de os Body Snatchers terem um único agente, pelo menos do que nos é dado a perceber nas diversas interacções com a comunidade e noticiários, parece um péssimo plano. E porquê Mark se já tinham Bob? Seria ele o espécime ideal da humanidade? Os anos 80 foram uma época dourada para o cinema de terror e do fantástico em geral. Este “Almost Human” correu sérios riscos ao tentar reviver essa época ao máximo com: poster revivalista; história passada nos anos 80 com uma temática então em voga; várias referências a outros filmes; e mesmo uma narrativa como se fazia nessa época. Até as armas são semelhantes, desde facas a caçadeiras, passando por machados e moto-serras não faltou nada que estivesse na moda há 30 anos. A diferença foi na pós-produção (hoje em dia qualquer artista em casa faz mais e melhor que as super-equipas de então) e no facto de estarmos um pouco fartos dessa temática. Ao fazer um filme igual a tantos outros, deve-se melhorar algo. Este não traz absolutamente nada de diferente. Apesar de ser um filme competente – atenção que os envolvidos não são amadores, só não têm grandes títulos nos créditos – precisava de um argumento mais refinado e de um elemento diferenciador. Assim acompanhamos a história de início ao fim sem surpresas. Sem nada que faça pular da cadeira ou sequer aplaudir. É uma boa combinação de cenas clássicas com o argumento mínimo para ficarem coladas umas ás outras. Este primeiro filme de Joe Begos como realizador, alimenta, mas não satisfaz plenamente. Até as mortes mais gore e o processo de tomada de posse dos corpos raramente fazem esboçar um sorriso entre os espectadores acostumados. Em sua defesa digo que pelo menos dá muita vontade de ir rever alguns VHS para comparar com aquilo em que se inspirou. De certa forma, essa é também uma boa homenagem à era dourada. E como tem apenas 80 minutos ninguém se pode queixar de tempo perdido. Filmes Filmes 2014 MOTELx 2014nostalgiaNuno ReisPossessão