Big Game Nuno Reis, 21 de Junho de 201513 de Janeiro de 2026 O cinema escandinavo tem vindo a ganhar admiradores a cada ano que passa. Devido às co-produções constantes entre todos, é complicado separar os países para quem não identifique o idioma principal, mas lentamente os cineastas vão sendo conhecidos. Se a Dinamarca tem a maior parte dos realizadores (von Trier, Vinterberg, August, Refn, Jensen, Madsen, Bornedal), e a Noruega tem feito os filmes de maior sucesso e prepara toda uma uma geração (Trier, Tyldum, Wirkola), a Suécia tem em Tomas Alfredson e na saga “Millennium” os seus maiores trunfos. O que nos deu a Finlândia desde os remotos tempos áureos de Renny Harlin até ao fenómeno mediático de “Iron Sky”? Praticamente só “Rare Exports”, baseado numa curta de Jalmari Helander que o realizador refez para ganhar o Méliès d’Or em 2010. Enquanto outros cineastas finlandeses vão surgindo (atenção a Joonas Makkonen por exemplo) Helander tenta estabelecer-se com produtos diferentes e que possam chegar a todo o mundo. O seu novo filme, “Big Game”, é ao mesmo tempo sobre a Finlândia e as tradições, e é um blockbuster americano de acção. O segredo foi cruzar ambos com muito desplante. O Air Force One é dos aviões mais conhecidos desde que Harrison Ford fez de presidente americano. O título não pertence a um veículo ou modelo específico, refere-se apenas ao avião que transporta o presidente. Qualquer terrorista gostaria de o deitar abaixo, mas se tiver juízo sabe como isso é difícil pois além de ter avançados mecanismos de defesa, tem sempre uma escolta voadora. Quanto maior o prémio, maior a dificuldade e por isso, um grupo consegue planear a localização e momento ideal para abater o avião, quando este começava a reduzir a altitude para aterrar em Helsínquia. A kilómetros da civilização, a cápsula de fuga do presidente está sozinha no meio do nada, à espera que os terroristas o encontrem, como um pres(id)ente dentro de uma caixa. O que não estava nos planos deles era Oskari, um adolescente que está a fazer o teste de sobrevivência e por isso está sozinho na tal parte da floresta onde não havia ninguém. Tendo a missão de caçar um grande animal e com um estrangeiro caído dos céus a afugentar todos, Oskari não fica agradado, mas promete ajudá-lo a sair da floresta. Assim que cumpra a missão para a qual sabemos que não está talhado. Muito próximo do que vimos em “Cliffhanger” do já referido Renny Harlin, “Big Game” é um regresso ao cinema como entretenimento puro. Esta história de uma criança em busca de um tesouro tem muitos detalhes tirados dos Goonies – incluindo uma oportunidade para dizer algo que me soou a “it is my time, down here” – convertidos numa criança solitária pelos tempos modernos. A história vai decorrendo sem grandes surpresas além da qualidade do elenco secundário. Ray Stevenson como guarda-costas, Victor Garder como vice-presidente, Felicity Huffman pela CIA, Jim Broadbent como especialista em terrorismo, Ted Levine como general… nomes demasiado sonantes para os papéis que ocupam. Samuel Jackson como presidente que não gosta de aviões era uma boa ideia, mas darem-lhe esta apatia destoa do que o queríamos ver a fazer. Quando o filme termina, pode não ter correspondido às expectativas, mas serviu o propósito de entreter. Filmes Filmes 2014 caçadaNuno ReisPolítica