La Belle et la Bête (2014) Nuno Reis, 15 de Maio de 20241 de Dezembro de 2025 A propósito de Léa Seydoux ter feito um filme chamado “La Bête”, vamos viajar no tempo para quando fez “La Belle et la Bête”, mais uma versão de “A Bela e o Monstro”. A primeira pergunta é sempre quantas versões serão necessárias e a segunda é o que há de novo para contar. Nas televisões passava uma série com o mesmo nome (2012-16) e em 2010 tinha saído um filme com o mesmo nome. Nesta época havia ainda a versão em imagem real da Disney para filmar, assim como a de Del Toro que nunca aconteceu. Era como se esta dicotomia fosse o tema forte da década pós-Twilight (2008-2012). A intromissão de França na mistura foi porque os autores do conto original e mais famosa adaptação a conto infantil são francês (Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve e Jeanne-Marie Leprince de Beaumont). Tal como com os Mosqueteiros e os Miseráveis, gostam de nos mostrar regularmente que eles são a origem. Quanto ao que há de novo, sinceramente nada. As nossas memórias moldadas pela versão Disney se calhar lembram-se de Bela como filha única, mas no original tem 5 ou 6 irmãos. Depois há toda a situação do pai viajar, de trazer uma rosa, de ficar em dívida e de Bela tomar o seu lugar. Neste filme temos duas importantes alterações. Uma é que vemos por episódios o passado humano do príncipe. Pequenas pistas que ajudam a criar uma ideia do que se passou. Também criaram uma segunda linha narrativa com um dos irmãos de Bela a estar perigosamente endividado e a recorrer ao tesouro do Monstro para pagar as dívidas, atraíndo uma turba ao palácio. Em tudo o resto está bastante convencional. O palácio e os jardins por onde Bela se perde são imponentes. A sensação de zonas proibidas ao estilo de Barba Azul funciona. As criaturas mágicas (servos e não só) são deliciosas. E tudo isto merecia mais tempo. O filme podia-se ter focado na parte da história que é original e ignorar a que sabemos de cor. O mesmo pode ser dito do elenco. André Dussollier está bem, mas é desperdiçado. Vincent Cassel que tem de ter sempre o protagonismo é outro desperdício. Como humano fica muito bem, mas não encarna a besta como esta merecia. Quem leu o livro pode interpretar a intenção do realizador, mas quem está a ver o filme fica confuso. Yvonne Catterfeld está incrível, e facilmente ofusca Seydoux, mas mais uma vez, é relegada para segundo plano. Todo o filme gira em torno de e é devotado a Léa Seydoux. Ainda que não tenha direito a expressões variadas além de apática, desperada e enojada, tem várias oportunidades para se exibir. Vestidos de gala deslumbrantes, alguns diálogos poderosos, mas acaba por parecer desnorteada e alheia ao que se passa. Bela precisava de algum confidente ou diário para sabermos que lhe vai na mente, pois nunca se percebe se ela está ao mesmo ritmo do espectador. Um nota final para o CGI do Monstro que arruina o filme. Tudo o resto está bem e é credível, mas os planos do rosto só assustam por serem terríveis. Não recomendado para crianças, não convincente para adultos. É um filme como tantos outros, para ser esquecido no dia seguinte. Filmes Filmes 2014 Adaptação literáriaConto de FadasMagiaMaldiçãoNuno Reis