Lupin III (2014) Nuno Reis, 27 de Outubro de 20145 de Dezembro de 2025 Lupin the 3rd foi um fenómeno na animação televisiva no final dos anos setenta. Durante quatro temporadas e cento e cinquenta e cinco episódios, as aventuras de Lupin III – neto do incomparável ladrão Arsene Lupin – e dos seus amigos (ou será melhor dizer associados temporários?) fizeram-no percorrer o mundo em busca dos mais variados tesouros. Atrás dele estava sempre o implacável Inspector Zenigata. A criação mais famosa de Monkey Punch nunca saiu do imaginário japonês, fosse com sucessivas publicações da manga, séries televisivas, jogos de computador, o filme de Hayao Miyazaki ou muitas outras adaptações. E isso não pára. Para o ano terá uma nova série de animação. Mas 2014 foi um ano chave com um filme em imagem real a ser vendido para países a todo o mundo. Na Europa a sua exibição foi, como seria de esperar, em Sitges onde ficou quase para o final do programa. O público sabia ao que ia e tinha expectativas muito específicas para o que queria ver. No geral, foram cumpridas. O elenco tinha o grau adequado de estrelas. Lupin era Shun Oguri, voz frequente em animes (foi o Capitão Harlock no filme homónimo do ano passado) e actor de “Crows Zero”, “Sukiyaki Western Django”. Goemon, o mestre da lâmina, foi interpretado por Gô Ayano, uma das jovens promessas do cinema com propensão para as artes marciais. Fujiko Mine ficou entregue à actriz/modelo/cantora Meisa Kuroki. Não havia razões de queixa. Para quem não estiver familiarizado com Lupin III, é tudo contado de forna autónoma do que para trás se passou. Para ver o filme basta ver o filme. Se bem que conhecer os antecedentes tornará tudo mais divertido devido às inúmeras referências que aparecem, desde as versões animadas dos heróis, até cenas da série que foram replicadas ao detalhe. A trama principal aqui anda em torno de uma joia de Cleópatra que está metade na posse do círculo de ladrões e metade na posse de um colecionador privado que tão honesto como eles. Como todos querem deter a peça inteira, entram num grande conflito, agravado por vinganças pessoais entre gerações. O jogo do rato e o gato em que todos se acham o gato vai ser internacional, com golpes em todo o Sudeste Asiático, o que nos complica o visionamento por falarem numa enorme variedade de idiomas, em que o único perceptível é maltratado de tal forma que precisamos sempre de legendas. No entanto isso não prejudica em nada o filme que avança a bom ritmo, tendo uma única quebra significativa em toda a narrativa. No resto da duração é um suceder frenético de explosões, roubos, combates de vários tipos e um ou outro enorme disparate que descredibilizaria um filme sério. Felizmente “Lupin the 3rd” nunca quer ser sério e por isso pode-se dar ao luxo de reaproveitar velhos gags para criar um filme previsível, mas que pela simpatia da equipa – seja acabada de conhecer ou reencontrada – até se vê com gosto. Façam com que essa sessão seja memorável pois a duração não o colocará na lista de filmes a repetir. Filmes Filmes 2014 animeLupin IIINuno Reisplano inteligenterouboSitges 2014